Fui mexer nos arquivos velhos do Hotmail e encontrei o email abaixo, de que nem lembrava mais. Essa foi a mensagem de bota-fora que um grupo de amigos do Direito me mandou quando, no início de 2004, fui pra Londres.
É provável que a maioria não vá achar tanta graça no post, cheio de trocadilhos do juridiquês. Publico mesmo assim. Foi uma surpresa legal encontrar esse texto, e achei que ele merecia um lugar aqui.
Nos últimos anos me queixei muito da faculdade, e não me dei conta de que estava sendo terrivelmente injusta com muita gente. Fiz bons amigos durante os 4 anos que estudei com a turma da noite de 2000. Se hoje não sou mais tão próxima deles, é um pouco de culpa minha, que sabiadamente sou uma amiga relapsa. Além disso, tranquei o curso por um ano. Quando voltei, meus colegas já tinham se formado e o grupo sofreu uma dispersão natural. Eu sei que o tempo não volta, mas hoje senti saudades daquela turma. Graças a essa saudade, tiro as teias de aranha do blog num tom um pouco nostálgico
Despacho sacaneador
Vistos, etc...
GRUPO DO FUNDÃO SOCIEDADE DE ANÔNIMOS ajuizou a presente ação de rito de ordinários visando a condenação de LUCIANA BRUSCO à prestação de alimentos durante uma noite, em estabelecimento à escolha deste juízo.
Alega o respeitável grupo ser a medida de caráter cautelar, pois estaria a denunciada prestes a evadir-se do país, referindo também a má reputação da demandada.
Em contestação, alega a ré nada de importante, chegando mesmo a referir, às fls. 171 dos autos, que “prefere mesmo pagar uma noitada no Madrigal prá toda a galera do fundão a ir embora assim, fugindo que nem o Sérgio Naya”.
Decido.
Tratando-se as alegações de fatos notórios, entende este julgador dispensada a produção de provas, bem como a fundamentação na condenação. Pelo exposto, julgo procedente o pedido, para condenar Luciana Brusco à pagar uma esbórnia para a Turma de Trás. Arbitro o período de cumprimento em 1 N.A.M. (noite de aula matada), correspondente a 4 horas, no Madrigal, ou 3 NAMs no Anexo. Por tratar-se de sentença mandamental, dispendado o processo de execução, prá q toda essa cachaça chegue mais rápido! Axé!
Nicolas Marchau
É provável que a maioria não vá achar tanta graça no post, cheio de trocadilhos do juridiquês. Publico mesmo assim. Foi uma surpresa legal encontrar esse texto, e achei que ele merecia um lugar aqui.
Nos últimos anos me queixei muito da faculdade, e não me dei conta de que estava sendo terrivelmente injusta com muita gente. Fiz bons amigos durante os 4 anos que estudei com a turma da noite de 2000. Se hoje não sou mais tão próxima deles, é um pouco de culpa minha, que sabiadamente sou uma amiga relapsa. Além disso, tranquei o curso por um ano. Quando voltei, meus colegas já tinham se formado e o grupo sofreu uma dispersão natural. Eu sei que o tempo não volta, mas hoje senti saudades daquela turma. Graças a essa saudade, tiro as teias de aranha do blog num tom um pouco nostálgico
Despacho sacaneador
Vistos, etc...
GRUPO DO FUNDÃO SOCIEDADE DE ANÔNIMOS ajuizou a presente ação de rito de ordinários visando a condenação de LUCIANA BRUSCO à prestação de alimentos durante uma noite, em estabelecimento à escolha deste juízo.
Alega o respeitável grupo ser a medida de caráter cautelar, pois estaria a denunciada prestes a evadir-se do país, referindo também a má reputação da demandada.
Em contestação, alega a ré nada de importante, chegando mesmo a referir, às fls. 171 dos autos, que “prefere mesmo pagar uma noitada no Madrigal prá toda a galera do fundão a ir embora assim, fugindo que nem o Sérgio Naya”.
Decido.
Tratando-se as alegações de fatos notórios, entende este julgador dispensada a produção de provas, bem como a fundamentação na condenação. Pelo exposto, julgo procedente o pedido, para condenar Luciana Brusco à pagar uma esbórnia para a Turma de Trás. Arbitro o período de cumprimento em 1 N.A.M. (noite de aula matada), correspondente a 4 horas, no Madrigal, ou 3 NAMs no Anexo. Por tratar-se de sentença mandamental, dispendado o processo de execução, prá q toda essa cachaça chegue mais rápido! Axé!
Nicolas Marchau
Não consigo evitar associar pessoas/situações e músicas. É involuntário: quando me dou conta, identifico uma música com alguém, ou com algum acontecimento da minha vida. Na maior parte das vezes, a pessoa nem sabe que aquela é "sua" músisca. Tem vezes que a música parece não ter nada a ver com nada, mas quando páro pra pensar, é tarde demais, a associação já foi feita.
Ouvir as músicas, obviamente, traz as memórias de volta. Quantas vezes já escutei uma música por acaso, e relembrei de alguma coisa? E isso pode tanto ser muito legal, quanto uma merda. Pode, inclusive, ser as duas coisas, quando a lembrança que o som traz é a saudade de alguém querido, como minha manas, ou mesmo de épocas passadas.
E porque pode ser uma merda, tem músicas em que preciso dar sumiço de vez em quando. Esconder o CD, mover pra uma pasta esquecida, ou mesmo apagar do HD. O chato é que de muitas músicas que se tornam proibidas eu gosto, já gostava antes da associação acontecer. Mas não, não posso ouvir. Dá uma pequena revolta, tenho a estranha sensação de que a pessoa "roubou" a minha música. Mesmo que, como já disse, as pessoas sequer saibam que foram "etiquetadas" com a música X ou Y. Eventualmente, eu consigo voltar a ouvir as músicas proibidas sem ficar triste. Volta e meia escuto algumas músicas "proibidas", pra descobrir como eu realmente estou em relação às lembranças que elas trazem. No fim das contas, a música também funciona com um "termômetro".
O melhor é ligar o iTunes ou o iPod no random e ter agradáveis surpresas com as escolhas que ele fez. As músicas entristecedoras geralmente nem estão nas playlists, então a maior parte das surpesas é boa. Já abri um sorriso bobo no ônibus ouvindo músicas que me lembram da Carolina, ou de um show que fui com a Millu lá em 1997. Também já chorei escutando músicas que deveriam ter sido apagadas.
Sim, estou um pouco nostálgica. Mas é legal lembrar do passado, ter história na vida, ter referências
Ouvir as músicas, obviamente, traz as memórias de volta. Quantas vezes já escutei uma música por acaso, e relembrei de alguma coisa? E isso pode tanto ser muito legal, quanto uma merda. Pode, inclusive, ser as duas coisas, quando a lembrança que o som traz é a saudade de alguém querido, como minha manas, ou mesmo de épocas passadas.
E porque pode ser uma merda, tem músicas em que preciso dar sumiço de vez em quando. Esconder o CD, mover pra uma pasta esquecida, ou mesmo apagar do HD. O chato é que de muitas músicas que se tornam proibidas eu gosto, já gostava antes da associação acontecer. Mas não, não posso ouvir. Dá uma pequena revolta, tenho a estranha sensação de que a pessoa "roubou" a minha música. Mesmo que, como já disse, as pessoas sequer saibam que foram "etiquetadas" com a música X ou Y. Eventualmente, eu consigo voltar a ouvir as músicas proibidas sem ficar triste. Volta e meia escuto algumas músicas "proibidas", pra descobrir como eu realmente estou em relação às lembranças que elas trazem. No fim das contas, a música também funciona com um "termômetro".
O melhor é ligar o iTunes ou o iPod no random e ter agradáveis surpresas com as escolhas que ele fez. As músicas entristecedoras geralmente nem estão nas playlists, então a maior parte das surpesas é boa. Já abri um sorriso bobo no ônibus ouvindo músicas que me lembram da Carolina, ou de um show que fui com a Millu lá em 1997. Também já chorei escutando músicas que deveriam ter sido apagadas.
Sim, estou um pouco nostálgica. Mas é legal lembrar do passado, ter história na vida, ter referências
Fazendo um grande esforço pra não fugir correndo e gritando. Acabei de redigir uma petição implorando pra uma juíza proferir uma manifestação com caráter decisório (=dar uma decisão que decida, literalmente), porque na decisão anterior ela decidiu que não ia decidir sobre o assunto.
Se ela não der uma decisão decicindo, tenho que entrar com um processo pedindo que a obriguem a decidir. Ela vai ser obrigada a dizer qualquer coisa. Depois de ela decidir, se eu não gostar da decisão, daí então entro com um recurso pra mudar a decisão.
Dai segue o baile do processo principal.
Argh, argh, argh.
Se ela não der uma decisão decicindo, tenho que entrar com um processo pedindo que a obriguem a decidir. Ela vai ser obrigada a dizer qualquer coisa. Depois de ela decidir, se eu não gostar da decisão, daí então entro com um recurso pra mudar a decisão.
Dai segue o baile do processo principal.
Argh, argh, argh.
Direto de uma lista da Men's Health :
25. The idea that life is over when you fail. Because it's really just begun again.
25. The idea that life is over when you fail. Because it's really just begun again.
When I look into your eyes
I can see love restrained
But darlin' when I hold you
Don't you know I feel the same
'Cause nothing lasts forever
And we both know hearts can change
And it's hard to hold a candle
In the cold november rain
We've been through this such a long, long time
Just tryin' to kill the pain
But lovers always come and lovers always go
And no one's really sure who's lettin' go today
Walking away
If we could take the time to lay it on the line
I could rest my head just knownin' that you were mine
All mine
So if you want to love me
Then darling dont't refrain
Or you'll just end up walkin' in the cold november rain
Do you need some time on your own
Do you need some time all alone
Evereybody needs some time on their own
Don't you know you need some time all alone
I know it's hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if could hear a broken heart
Wouldn't time be out to charm you
Sometimes I need some time on my own
Sometimes I need some time all alone
Everybody needs some time on their own
Don't you know you need some time all alone
And when your fears subside and shadows still remain
I know that you can love me when there's no one left to blame
So never mind the darkness
We still can find a way
'Cause nothing lasts forever, even cold november rain
Don't ya think that you need somebody
Don't ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You're not the only one
You're not the only one
Mais velha que a minha vó
I can see love restrained
But darlin' when I hold you
Don't you know I feel the same
'Cause nothing lasts forever
And we both know hearts can change
And it's hard to hold a candle
In the cold november rain
We've been through this such a long, long time
Just tryin' to kill the pain
But lovers always come and lovers always go
And no one's really sure who's lettin' go today
Walking away
If we could take the time to lay it on the line
I could rest my head just knownin' that you were mine
All mine
So if you want to love me
Then darling dont't refrain
Or you'll just end up walkin' in the cold november rain
Do you need some time on your own
Do you need some time all alone
Evereybody needs some time on their own
Don't you know you need some time all alone
I know it's hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if could hear a broken heart
Wouldn't time be out to charm you
Sometimes I need some time on my own
Sometimes I need some time all alone
Everybody needs some time on their own
Don't you know you need some time all alone
And when your fears subside and shadows still remain
I know that you can love me when there's no one left to blame
So never mind the darkness
We still can find a way
'Cause nothing lasts forever, even cold november rain
Don't ya think that you need somebody
Don't ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You're not the only one
You're not the only one
Mais velha que a minha vó
Desentarrada do CD
Guns 'n' Roses - You ain't the first
I tried so hard just to
get through to you
But your head's so far
from the realness of truth
Was it just a come on in the dark
Wasn't meant to last long
I think you've worn your welcome honey
I'll just see you along as I
sing you this song
Time can pass slowly,
things always change
You day's been numbered
And I've read your last page
You was just a temporary lover
Honey you ain't the first
Lots of others came before you woman
Said but you been the worst
Sa' you been the worst
So goodbye to you girl
So long, farewell
I can't hear you cryin'
Your jivin's been hell
So look for me walkin'
Down your street at night
I'll be in with another
Deep down inside
Fail =|
Guns 'n' Roses - You ain't the first
I tried so hard just to
get through to you
But your head's so far
from the realness of truth
Was it just a come on in the dark
Wasn't meant to last long
I think you've worn your welcome honey
I'll just see you along as I
sing you this song
Time can pass slowly,
things always change
You day's been numbered
And I've read your last page
You was just a temporary lover
Honey you ain't the first
Lots of others came before you woman
Said but you been the worst
Sa' you been the worst
So goodbye to you girl
So long, farewell
I can't hear you cryin'
Your jivin's been hell
So look for me walkin'
Down your street at night
I'll be in with another
Deep down inside
Fail =|
Tenho feito avanços consideráveis na tarefa de ser uma mulherzinha mais decente. Certamente já fui à manicure mais de 10 vezes nesse ano, um recorde absoluto (talvez se juntar 2004, 2005, 2006 e 2007, eu consiga somar 10 visitas a manicures). E nos últimos dois meses, consegui adquirir o hábito de passar hidratante no rosto. Como brinde, ganhei também o hábito de passar protetor solar no rosto antes de sair de casa, porque o creme frufru vem com filtro.
O único hábito que não colou e acho que nunca vai colar é a maquiagem. No máximo um batom no inverno, pros lábios não secarem e enfeiarem.
Tenho diversos problemas com a maquiagem. Um deles é que não dá pra ficar coçando os olhos pra não estragar. Não que eu precise coçar os olhos 7 vezes por dia, mas só de saber que não posso, tenho vontade.
Outro problema é que a maquiagem tem de ser retirada. Lembro de quando comecei a sair à noite com as amigas. Elas todas lindas com suas maquiagens elaboradas e bem-feitas, e eu com o mínimo existencial, executado mal e porcamente. Desde aquela época eu não via sentido em realizar um esforço sobre-humano (pra mim é muito complicado fazer um traço reto com um lápis de olho) pra fazer uma maquiagem e, antes de dormir, com o maior sono, ter de tirar tudo. E se ficasse com alguém, pior! Beijo na boca = gosto de batom + duas pessoas borradas. Beijos no rosto = gosto de base/pó/blush. Ugh!
Eu sei, vão me dizer que com a prática, eu aprendo. Mas me convenci de que não quero aprender. Maquiagem só quando estritamente necessário. Nas ocasiões em que precisar me maquiar bem linda, vou a um salão de beleza. A variedade de produtos e cores que o maquiador vai ter, eu jamais teria. Sai até mais barato pagar alguém uma ou duas vezes por ano (quando eu realmente preciso de uma maquiagem boa) do que comprar um monte de coisas que vão apodrecer bem antes de acabar.
Excluído o fardo da maquiagem, a tarefa para os próximos meses é ir ainda mais freqüentemente à manicure. Isso é outra coisa que eu poderia fazer em casa, mas também me faltam habilidade e paciência. Há anos eu tento fazer minhas unhas e há anos me irrito (Millu, acho que, entre os vários surtos de irritação, tu ainda não me viu brigar com as coisas de fazer unhas. Grande "perca"). Ou me tiro uns pedaços dos dedos, ou não consigo pintar direito (consigo fazer meleca até com esmalte branquinho) ou ambos. Desisti.
Gostei de adotar a teoria de pagar para que uma pessoa com os conhecimentos específicos faça bem-feita uma tarefa que eu faria meia-boca. Felizmente, tem uma coisa de que não dá pra reclamar nesse país: preços de tias embelezadoras. Pelo trabalhão que dá e pelo tempo que perdem, as manicures custam MUITO barato. Os poucos reais que eu gasto pagam todo o desgosto que eu deixo de ter.
E, por fim, outra coisa de que muito me orgulho: aboli lâminas da minha vida. Sou o orgulho das depiladoras, faz muito tempo que não uso gilette ou similares para sumir com os malditos pelos que insistem em me enfeiar. Sempre dói, mas consegui me disciplinar pra sumir com as lâminas da minha vida. Sou uma pessoa bem melhor, tenho certeza.
O único hábito que não colou e acho que nunca vai colar é a maquiagem. No máximo um batom no inverno, pros lábios não secarem e enfeiarem.
Tenho diversos problemas com a maquiagem. Um deles é que não dá pra ficar coçando os olhos pra não estragar. Não que eu precise coçar os olhos 7 vezes por dia, mas só de saber que não posso, tenho vontade.
Outro problema é que a maquiagem tem de ser retirada. Lembro de quando comecei a sair à noite com as amigas. Elas todas lindas com suas maquiagens elaboradas e bem-feitas, e eu com o mínimo existencial, executado mal e porcamente. Desde aquela época eu não via sentido em realizar um esforço sobre-humano (pra mim é muito complicado fazer um traço reto com um lápis de olho) pra fazer uma maquiagem e, antes de dormir, com o maior sono, ter de tirar tudo. E se ficasse com alguém, pior! Beijo na boca = gosto de batom + duas pessoas borradas. Beijos no rosto = gosto de base/pó/blush. Ugh!
Eu sei, vão me dizer que com a prática, eu aprendo. Mas me convenci de que não quero aprender. Maquiagem só quando estritamente necessário. Nas ocasiões em que precisar me maquiar bem linda, vou a um salão de beleza. A variedade de produtos e cores que o maquiador vai ter, eu jamais teria. Sai até mais barato pagar alguém uma ou duas vezes por ano (quando eu realmente preciso de uma maquiagem boa) do que comprar um monte de coisas que vão apodrecer bem antes de acabar.
Excluído o fardo da maquiagem, a tarefa para os próximos meses é ir ainda mais freqüentemente à manicure. Isso é outra coisa que eu poderia fazer em casa, mas também me faltam habilidade e paciência. Há anos eu tento fazer minhas unhas e há anos me irrito (Millu, acho que, entre os vários surtos de irritação, tu ainda não me viu brigar com as coisas de fazer unhas. Grande "perca"). Ou me tiro uns pedaços dos dedos, ou não consigo pintar direito (consigo fazer meleca até com esmalte branquinho) ou ambos. Desisti.
Gostei de adotar a teoria de pagar para que uma pessoa com os conhecimentos específicos faça bem-feita uma tarefa que eu faria meia-boca. Felizmente, tem uma coisa de que não dá pra reclamar nesse país: preços de tias embelezadoras. Pelo trabalhão que dá e pelo tempo que perdem, as manicures custam MUITO barato. Os poucos reais que eu gasto pagam todo o desgosto que eu deixo de ter.
E, por fim, outra coisa de que muito me orgulho: aboli lâminas da minha vida. Sou o orgulho das depiladoras, faz muito tempo que não uso gilette ou similares para sumir com os malditos pelos que insistem em me enfeiar. Sempre dói, mas consegui me disciplinar pra sumir com as lâminas da minha vida. Sou uma pessoa bem melhor, tenho certeza.
Acho sempre muito bom visitar parentes no interior. Dessa vez, eu não estava muito a fim de vir, mas eu tinha certeza de que chegando aqui, acharia ótimo e ainda iria me arrepender se tivesse ficado em casa.
Vim.
Como sempre, super bem recebida, e sempre com muita e deliciosa comida. Começou pelo café da manhã na tia Ana: BOLO DE MILHO com coco. AMO bolo de milho (como deu pra perceber nos meus twitts), é o melhor bolo de todos. Para o almoço, churrasco de ovelha. Sou meio cri-cri para comer ovelha, mas é claro que a carne aqui estava excelente. À tarde, mais bolo de milho na tia Ana e depois, a única torta de bolacha do mundo na casa da vó. Não como torta de bolacha em nenhum outro lugar. Nhaaaam. Talvez sobre um pouco pra levar "pro mano".
Quase fiquei triste com a janta. Tava contando com uma sopa de agnolini (capeletti é coisa de porto-alegrense), mas não conseguiram encontrar bons agnolinis na cidade. Ainda assim, a vó conseguiu fazer um caldo sensacional e serviu sopa de massa mesmo. Não tão bom quanto seria o agnolini, mas ainda assim, delicioso.
De volta à casa da tia Ana, uma das primas (Joana) ofereceu um chocolate frufru que tinha ganhado do namorado e não gostou. Comi pra não sobrar =P
O cardápio do almoço de amanhã ainda não foi decidido pelas tias, mas sei que não preciso me preocupar. Qualquer coisa que escolherem será muito boa.
Para o café da manhã, mais bolo de milho. Só paro de comer quando acabar.
======
Sananduva (cidade do interior onde eu estou) é lugar para embelezamentos baratos. Por DEZ REAIS, a manicure super querida e habilidosa faz mãos e pés.
Hoje ousei e pintei as unhas do pé com o mesmo rosa chamativo das mãos. Não lembro de já ter feito isso, era sempre uma base ou uma cor clarinha nas unhas dos pés. Ainda não me acostumei, fico o tempo todo olhando pra baixo. Fiquei com medo de parecer meio brega, mas acho que está legal.
Mais tarde, as primas e as tias noveleiras observaram que a cor das minhas unhas é a mesma da Deborah Secco, na novela das 8. "PQP! Que péssimo!" Deu vontade de tirar, odeio usar "o que estão usando na novela". Mas dane-se, não sou tão culta e fina assim pra ficar repudiando sempre todas as modinhas lançadas pela Globo. Achei a cor bonita e, em minha defesa, foi apenas coincidência.
=====
Minha vó ainda não conseguiu se conformar com meu cabelo loiro platinado. Acho que da próxima vez que vier, pra evitar o desgosto dela, usarei uma peruca.
Eu também gostava da cor original, mas me identifiquei bastante com o cabelo "novo", ele fica assim por mais um bom tempo.
=====
Visitar a família no interior só tem uma coisa MUITO ruim: banho com chuveiro elétrico. Acho que os parentes têm alguma coisa muito séria e secreta contra aquecedores a gás ou boilers. Só pode ser isso, porque não consigo achar um bom motivo para que as pessoas não usufruam do conforto de um banho decente nas suas casas.
Vim.
Como sempre, super bem recebida, e sempre com muita e deliciosa comida. Começou pelo café da manhã na tia Ana: BOLO DE MILHO com coco. AMO bolo de milho (como deu pra perceber nos meus twitts), é o melhor bolo de todos. Para o almoço, churrasco de ovelha. Sou meio cri-cri para comer ovelha, mas é claro que a carne aqui estava excelente. À tarde, mais bolo de milho na tia Ana e depois, a única torta de bolacha do mundo na casa da vó. Não como torta de bolacha em nenhum outro lugar. Nhaaaam. Talvez sobre um pouco pra levar "pro mano".
Quase fiquei triste com a janta. Tava contando com uma sopa de agnolini (capeletti é coisa de porto-alegrense), mas não conseguiram encontrar bons agnolinis na cidade. Ainda assim, a vó conseguiu fazer um caldo sensacional e serviu sopa de massa mesmo. Não tão bom quanto seria o agnolini, mas ainda assim, delicioso.
De volta à casa da tia Ana, uma das primas (Joana) ofereceu um chocolate frufru que tinha ganhado do namorado e não gostou. Comi pra não sobrar =P
O cardápio do almoço de amanhã ainda não foi decidido pelas tias, mas sei que não preciso me preocupar. Qualquer coisa que escolherem será muito boa.
Para o café da manhã, mais bolo de milho. Só paro de comer quando acabar.
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Sananduva (cidade do interior onde eu estou) é lugar para embelezamentos baratos. Por DEZ REAIS, a manicure super querida e habilidosa faz mãos e pés.
Hoje ousei e pintei as unhas do pé com o mesmo rosa chamativo das mãos. Não lembro de já ter feito isso, era sempre uma base ou uma cor clarinha nas unhas dos pés. Ainda não me acostumei, fico o tempo todo olhando pra baixo. Fiquei com medo de parecer meio brega, mas acho que está legal.
Mais tarde, as primas e as tias noveleiras observaram que a cor das minhas unhas é a mesma da Deborah Secco, na novela das 8. "PQP! Que péssimo!" Deu vontade de tirar, odeio usar "o que estão usando na novela". Mas dane-se, não sou tão culta e fina assim pra ficar repudiando sempre todas as modinhas lançadas pela Globo. Achei a cor bonita e, em minha defesa, foi apenas coincidência.
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Minha vó ainda não conseguiu se conformar com meu cabelo loiro platinado. Acho que da próxima vez que vier, pra evitar o desgosto dela, usarei uma peruca.
Eu também gostava da cor original, mas me identifiquei bastante com o cabelo "novo", ele fica assim por mais um bom tempo.
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Visitar a família no interior só tem uma coisa MUITO ruim: banho com chuveiro elétrico. Acho que os parentes têm alguma coisa muito séria e secreta contra aquecedores a gás ou boilers. Só pode ser isso, porque não consigo achar um bom motivo para que as pessoas não usufruam do conforto de um banho decente nas suas casas.
Livros, computador, guitarra, tênis, echarpe, tênis, havaianas de pedreiro, processo, bolsas, revistas, mochila, pijama de bolinhas, óculos, amplificador, creme pras mãos, sabonete para o rosto, revistas, carregadores de celular e do note, e uma série de outras pequenas tranqueiras.
Tudo isso jogado nos 6,6m² do meu quarto. Como sempre, parece um furacão passou por aqui. Concluo que no meu quarto não tem espaço suficiente pra todas as minhas tralhas. Portanto, é muito difícil que meu quarto algum dia fique perfeitamente arrumado (viu, Millu? A culpa do estado de calamidade do meu quarto não é minha, mas do engenheiro que desenhou minha suíte tão pequena).
E olha que parei de comprar sapatos e roupas há uns 3 meses!
Tudo isso jogado nos 6,6m² do meu quarto. Como sempre, parece um furacão passou por aqui. Concluo que no meu quarto não tem espaço suficiente pra todas as minhas tralhas. Portanto, é muito difícil que meu quarto algum dia fique perfeitamente arrumado (viu, Millu? A culpa do estado de calamidade do meu quarto não é minha, mas do engenheiro que desenhou minha suíte tão pequena).
E olha que parei de comprar sapatos e roupas há uns 3 meses!
A cidade de Óbvio fica exatamente onde você esperava que ela ficasse. Está identificada no mapa pela palavra "Óbvio". Quem for de carro deve seguir as sinalizações na estrada que mostram o caminho para se chegar lá. Pode-se ir de ônibus, tendo o cuidado de não pegar um ônibus que vá para outro lugar. Ou de trem, desde que desça na estação certa. A estação de Óbvio é facilmente identificável. É a única que tem uma tabuleta onde está escrito "Óbvio". Se o nome na estação for outro, não é Óbvio. É óbvio.
Em Óbvio existe uma praça central onde ficam a igreja matriz e a prefeitura. A igreja é usada para missas, enquanto a administração da cidade se concentra, convenientemente, na prefeitura. Apesar de uma certa mesmice, as casas de Óbvio, todas feitas com material de construção, se distinguem por certos detalhes arquitetônicos, como janelas e portas. Existem ruas. A cidade de Óbvio está cheia de lugares comuns.
Em Óbvio conversa-se pouco. Primeiro porque, desde a fundação da cidade, ninguém jamais teve um pensamento original e os assuntos se repetem. Segundo porque as pessoas não precisam dizer nada. Em Óbvio está tudo na cara.
Os principais produtos da região são truísmos e as coisas feitas ali mesmo. Quando a temperatura baixa faz frio, mas os termômetros sobem quando esquenta. E Óbvio tem uma peculiaridade climática: lá chove no molhado.
====
Não longe dali fica a cidade de Desgraça. O único hotel de Desgraa se chama Ostracismo e fica numa rua escura de pouco movimento. Quem cai em Desgraça vai automaticamente para o Ostracismo. Na sua lista de hóspedes estão alguns nomes ilustres dos quais raramente se ouve falar.
-Que fim levou o fulano?
-Está no Ostracismo.
É difícil registrar-se no hotel porque muitas vezes o próprio pessoal da recepção recusa-se a falar com o recém-chegado. O máximo da rejeição é alguém ser persona non grata no Ostracismo.
O hotel tem um bar, o Pária's, e um restaurante, o L'Execrable. No bar só servem uísque "black label" - todos os uísques vêm com uma tarja preta. Do Black & White só servem o Black. A massa do pão para o restaurante é amassada no próprio hotel, pelo Diabo. A Suíte Ex-Presidencial, reservada para os presidentes qeu chegam a Desgraça, tem a vantagem de dar para um paredão. Os outros quartos não dão para nada.
O prédio do hotel não tem poço, tem depressão. Os elevadores só descem. Os quartos têm frigobar mas o frigobar não tem porta. O chuveiro, no banheiro, tem duas torneiras: "Frio" e "Mais Frio". Quando você chama o serviço de quarto vem um ladrão e faz o serviço no seu quarto. O cartão para pendurar do lado de fora da porta diz "Perturbem perturbe:. A roupa de cama , mudada a cada década pelos Três Patetas, é uma velha calça de brim rasgada e uma camiseta desdobrada com os dizeres "Torcida Organizada do Jabaquara".
Nunca há visitantes para quem está no Ostracismo. Ninguém lhe telefona. Não chegam cartas, só velhas contas a ajustar.
É o único hotel do mundo onde as baratas têm nojo dos hóspedes.
De novo, Luis Fernando Veríssimo. Crônica publicada na Zero de 21 de maio de 1995, na antiga Revista ZH. Melhor crônica de todos os tempos. Até hoje eu guardo o recorte de jornal
Em Óbvio existe uma praça central onde ficam a igreja matriz e a prefeitura. A igreja é usada para missas, enquanto a administração da cidade se concentra, convenientemente, na prefeitura. Apesar de uma certa mesmice, as casas de Óbvio, todas feitas com material de construção, se distinguem por certos detalhes arquitetônicos, como janelas e portas. Existem ruas. A cidade de Óbvio está cheia de lugares comuns.
Em Óbvio conversa-se pouco. Primeiro porque, desde a fundação da cidade, ninguém jamais teve um pensamento original e os assuntos se repetem. Segundo porque as pessoas não precisam dizer nada. Em Óbvio está tudo na cara.
Os principais produtos da região são truísmos e as coisas feitas ali mesmo. Quando a temperatura baixa faz frio, mas os termômetros sobem quando esquenta. E Óbvio tem uma peculiaridade climática: lá chove no molhado.
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Não longe dali fica a cidade de Desgraça. O único hotel de Desgraa se chama Ostracismo e fica numa rua escura de pouco movimento. Quem cai em Desgraça vai automaticamente para o Ostracismo. Na sua lista de hóspedes estão alguns nomes ilustres dos quais raramente se ouve falar.
-Que fim levou o fulano?
-Está no Ostracismo.
É difícil registrar-se no hotel porque muitas vezes o próprio pessoal da recepção recusa-se a falar com o recém-chegado. O máximo da rejeição é alguém ser persona non grata no Ostracismo.
O hotel tem um bar, o Pária's, e um restaurante, o L'Execrable. No bar só servem uísque "black label" - todos os uísques vêm com uma tarja preta. Do Black & White só servem o Black. A massa do pão para o restaurante é amassada no próprio hotel, pelo Diabo. A Suíte Ex-Presidencial, reservada para os presidentes qeu chegam a Desgraça, tem a vantagem de dar para um paredão. Os outros quartos não dão para nada.
O prédio do hotel não tem poço, tem depressão. Os elevadores só descem. Os quartos têm frigobar mas o frigobar não tem porta. O chuveiro, no banheiro, tem duas torneiras: "Frio" e "Mais Frio". Quando você chama o serviço de quarto vem um ladrão e faz o serviço no seu quarto. O cartão para pendurar do lado de fora da porta diz "Perturbem perturbe:. A roupa de cama , mudada a cada década pelos Três Patetas, é uma velha calça de brim rasgada e uma camiseta desdobrada com os dizeres "Torcida Organizada do Jabaquara".
Nunca há visitantes para quem está no Ostracismo. Ninguém lhe telefona. Não chegam cartas, só velhas contas a ajustar.
É o único hotel do mundo onde as baratas têm nojo dos hóspedes.
De novo, Luis Fernando Veríssimo. Crônica publicada na Zero de 21 de maio de 1995, na antiga Revista ZH. Melhor crônica de todos os tempos. Até hoje eu guardo o recorte de jornal
- Music:Minhas próprias risadas, mesmo depois de ter lido essa crônica mais de 100 vezes
Every time I see your face
It reminds me of the places we used to go
But all I've got is a photograph
And I realize you're not coming back anymore
I thought I'd make it
The day you went away
But I can't make it
'Til you come home again to stay
I can't get used to living here
While my heart is broke, my tears are cried for you
I want you here to have and hold
As the years go by, and we grow old and gray
Now you're expecting me
To live without you
But that's not something
That I'm looking forward to
George Harrison + Ringo Starr
It reminds me of the places we used to go
But all I've got is a photograph
And I realize you're not coming back anymore
I thought I'd make it
The day you went away
But I can't make it
'Til you come home again to stay
I can't get used to living here
While my heart is broke, my tears are cried for you
I want you here to have and hold
As the years go by, and we grow old and gray
Now you're expecting me
To live without you
But that's not something
That I'm looking forward to
George Harrison + Ringo Starr
- Mood:
uncomfortable
Terça-feira fui a um evento e acabei sentada do lado de um tio que fungava muito: muito alto, muito seguidamente. Parecia que as fungadas eram dentro do meu cérebro, de tão irritantes.
Com a cara mais educada e cordial que consegui fazer, ofereci com muita educação lencinhos de papel ao senhor fungante. Ele, mui polidamente, recusou minha oferta.
E CONTINUOU FUNGANDO POR UMA HORA E MEIA!
Ninguém escolhe quando vai ficar doente, e nem sempre se pode deixar de comparecer a certos compromissos por uma gripe boba. Isso eu entendo, tanto é que ofereci lencinhos de papel pro tio, que poderia estar fungando porque esqueceu da providenciá-los. Mas ele recusou os lenços e continuou fazendo seu insuportável barulho.
Eu sou facilmente irritável, reconheço. Mas não pode ser reconhecida como civilizada a atitude fungatória em público por quase duas horas.
Com a cara mais educada e cordial que consegui fazer, ofereci com muita educação lencinhos de papel ao senhor fungante. Ele, mui polidamente, recusou minha oferta.
E CONTINUOU FUNGANDO POR UMA HORA E MEIA!
Ninguém escolhe quando vai ficar doente, e nem sempre se pode deixar de comparecer a certos compromissos por uma gripe boba. Isso eu entendo, tanto é que ofereci lencinhos de papel pro tio, que poderia estar fungando porque esqueceu da providenciá-los. Mas ele recusou os lenços e continuou fazendo seu insuportável barulho.
Eu sou facilmente irritável, reconheço. Mas não pode ser reconhecida como civilizada a atitude fungatória em público por quase duas horas.
Existem a Polinésia, a Indonésia e, pouca gente sabe, a Amnésia, um pequeno arquipélago no Pacífico cuja principal indústria é a fitinha para amarrar no dedo e lembrar o que não se quer esquecer, que os amnesianos costumam usar nos 10 dedos da mão, inutilmente, pois nunca se lembram por que estão usando. Quem acha que o Brasil é o país mais sem memória do mundo não conhece a Amnésia, que inclusive se classificou para as finais da última Copa do Mundo mas esqueceu de ir, ao contrário do Brasil, que foi mas esqueceu o futebol.
***
A profissão mais valorizada na Amnésia é a de historiador-romancista. Como ninguém se lembra de nada por mais de 15 minutos, os historiadores inventaram uma história grandiosa para o país que inclui até uma guerra contra os Estados Unidos, que ganharam, vários reis malucos e ditadores divertidos e heróis nacionais como o inventor do spray nasal e um amante da Rita Hayworth, além de muitos recordistas olímpicos e cinco vitórias na Copa do Mundo. A capital de Amnésia, cujo nome ninguém se lembra, tem dezenas de estátuas e monumentos homenageando atletas, generais, cientistas e filósofos que nunca existiram mas estão nos livros de história.
Segundo os historiadores, Amnésia já construiu sua bomba atômica, só esqueceu onde a botou.
***
Amnésia também é conhecida como exportadora de garçons. Quase todos os imigrantes de Amnésia que você encontra no mundo são garçons. É fácil reconhecê-los porque são os que esquecem o seu pedido. Em Amnésia isto não era um problema porque quem pedia sempre esquecia o que tinha pedido e aceitava o que o garçom trouxesse, mas em outros países garçons amnesianos têm ouvido alguns desaforos. Que logo esquecem.
***
Em Amnésia não há adultério. Ou há, mas os traídos esquecem a traição com a mesma rapidez com que os adúlteros esquecem seu juramento de jamais repeti-la, e volta a paz. Uma velha tradição do país – segundo os historiadores – é o duelo pela honra. Quando os desafetos se encontram para resolver tudo com espada ou pistola ninguém se lembra mais da causa do duelo, e apesar da tradição nenhum duelo jamais foi realizado em Amnésia. Pelo menos que alguém se lembre.
***
Os políticos em Amnésia são todos corruptos. Os escândalos se repetem mas as comissões parlamentares reunidas para investigá-los começam, invariavelmente, com seu presidente perguntando “Alguém se lembra por que estamos reunidos aqui?”. Como ninguém se lembra as comissões são desfeitas, até o escândalo seguinte, quando ocorre a mesma coisa. Já houve a sugestão de se formar as comissões antes dos escândalos, que são previsíveis, pois acontecem com a mesma regularidade com que são esquecidos. A sugestão foi aceita e logo esquecida. Há pouca renovação entre dirigentes e parlamentares amnesianos porque o público esquece o que eles fizeram e os reelege. Políticos que estão no poder há anos fazem campanha com o slogan “Finalmente uma cara nova” em todas as eleições e levam o voto do eleitor insatisfeito mesmo que não lembre bem com o quê. Leis são promulgadas, esquecidas, nunca exercidas e muitas vezes promulgadas de novo – e esquecidas de novo. Em Amnésia os computadores têm memória, mas ninguém se lembra pra que serve.
***
É bom viver no pequeno arquipélago de Amnésia, onde ninguém cobra dívidas, guarda rancor ou tem o que contar ao psicanalista, a não ser que invente. Os historiadores – romancistas providenciam as lembranças que ninguém tem. Se Amnésia se classificou para as finais da Copa – pelo menos tem quase certeza que se classificou, faz tanto tempo – e esqueceu de ir, por que não botar na história que foi e ganhou? Num país sem memória onde tudo é faz de conta, o passado pode ser o que a gente escolher.
Luís Fernando Veríssimo. Publicada originalmente em alguma edição de domingo de 2006 na Zero Hora e reporoduzida no caderno Donna de ontem
***
A profissão mais valorizada na Amnésia é a de historiador-romancista. Como ninguém se lembra de nada por mais de 15 minutos, os historiadores inventaram uma história grandiosa para o país que inclui até uma guerra contra os Estados Unidos, que ganharam, vários reis malucos e ditadores divertidos e heróis nacionais como o inventor do spray nasal e um amante da Rita Hayworth, além de muitos recordistas olímpicos e cinco vitórias na Copa do Mundo. A capital de Amnésia, cujo nome ninguém se lembra, tem dezenas de estátuas e monumentos homenageando atletas, generais, cientistas e filósofos que nunca existiram mas estão nos livros de história.
Segundo os historiadores, Amnésia já construiu sua bomba atômica, só esqueceu onde a botou.
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Amnésia também é conhecida como exportadora de garçons. Quase todos os imigrantes de Amnésia que você encontra no mundo são garçons. É fácil reconhecê-los porque são os que esquecem o seu pedido. Em Amnésia isto não era um problema porque quem pedia sempre esquecia o que tinha pedido e aceitava o que o garçom trouxesse, mas em outros países garçons amnesianos têm ouvido alguns desaforos. Que logo esquecem.
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Em Amnésia não há adultério. Ou há, mas os traídos esquecem a traição com a mesma rapidez com que os adúlteros esquecem seu juramento de jamais repeti-la, e volta a paz. Uma velha tradição do país – segundo os historiadores – é o duelo pela honra. Quando os desafetos se encontram para resolver tudo com espada ou pistola ninguém se lembra mais da causa do duelo, e apesar da tradição nenhum duelo jamais foi realizado em Amnésia. Pelo menos que alguém se lembre.
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Os políticos em Amnésia são todos corruptos. Os escândalos se repetem mas as comissões parlamentares reunidas para investigá-los começam, invariavelmente, com seu presidente perguntando “Alguém se lembra por que estamos reunidos aqui?”. Como ninguém se lembra as comissões são desfeitas, até o escândalo seguinte, quando ocorre a mesma coisa. Já houve a sugestão de se formar as comissões antes dos escândalos, que são previsíveis, pois acontecem com a mesma regularidade com que são esquecidos. A sugestão foi aceita e logo esquecida. Há pouca renovação entre dirigentes e parlamentares amnesianos porque o público esquece o que eles fizeram e os reelege. Políticos que estão no poder há anos fazem campanha com o slogan “Finalmente uma cara nova” em todas as eleições e levam o voto do eleitor insatisfeito mesmo que não lembre bem com o quê. Leis são promulgadas, esquecidas, nunca exercidas e muitas vezes promulgadas de novo – e esquecidas de novo. Em Amnésia os computadores têm memória, mas ninguém se lembra pra que serve.
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É bom viver no pequeno arquipélago de Amnésia, onde ninguém cobra dívidas, guarda rancor ou tem o que contar ao psicanalista, a não ser que invente. Os historiadores – romancistas providenciam as lembranças que ninguém tem. Se Amnésia se classificou para as finais da Copa – pelo menos tem quase certeza que se classificou, faz tanto tempo – e esqueceu de ir, por que não botar na história que foi e ganhou? Num país sem memória onde tudo é faz de conta, o passado pode ser o que a gente escolher.
Luís Fernando Veríssimo. Publicada originalmente em alguma edição de domingo de 2006 na Zero Hora e reporoduzida no caderno Donna de ontem
- Mood:
okay - Music:Oye Como Va - Carlos Santana
Se você não tem candidato, vota Ulisses 13903. Aliás, mesmo que você tenha candidato, troca, e vota Ulisses 13903.
Patricinha que eu sou, vocês devem ficar espantados de o meu candidato ser da esquerda. É que, na verdade, eu votaria no Ulisses qualquer que fosse o partido por que ele concorresse. Isso porque eu tenho certeza (ele me prometeu em público) que ele não vai ser um "político profissional".
É a primeira vez que eu conheço de verdade um candidato. E só estou me expondo com essa propaganda aqui no blog porque confio muito no Uli, e sei que ele vai fazer o melhor trabalho possível na Câmara. Ou, na pior das hipóteses, ainda não que consiga trabalhar, não vai ser ladrão. Podem achar que é só papo-furado, mas eu confio muito no Ulisses.
Então, se quiserem alguma sugestão de candidato a vereador, Ulisses, 13903.
Patricinha que eu sou, vocês devem ficar espantados de o meu candidato ser da esquerda. É que, na verdade, eu votaria no Ulisses qualquer que fosse o partido por que ele concorresse. Isso porque eu tenho certeza (ele me prometeu em público) que ele não vai ser um "político profissional".
É a primeira vez que eu conheço de verdade um candidato. E só estou me expondo com essa propaganda aqui no blog porque confio muito no Uli, e sei que ele vai fazer o melhor trabalho possível na Câmara. Ou, na pior das hipóteses, ainda não que consiga trabalhar, não vai ser ladrão. Podem achar que é só papo-furado, mas eu confio muito no Ulisses.
Então, se quiserem alguma sugestão de candidato a vereador, Ulisses, 13903.
I can't do the talk like they talk on tv
And I can't do a love song like the way it's meant to be
I can't do everything but I'd do anything for you
I can't do anything except be in love with you
And all I do is miss you and the way we used to be
All do is keep the beat and bad company
All I do is kiss you through the bars of a rhyme
Julie I'd do the stars with you any time
Fazia tempo que eu não ouvia Dire Straits. Como eu tinha pouca variedade musical pra ouvir durante a viagem, e nem sempre estava a fim de ouvir uma ou outra música/banda, acabei ouvindo certo artistas algumas dezenas de vezes. E fiquei com essas estrofes tão bonitinhas na cabeça (aiai, bichinha).
Blogadas, talvez elas desgrudem =P
And I can't do a love song like the way it's meant to be
I can't do everything but I'd do anything for you
I can't do anything except be in love with you
And all I do is miss you and the way we used to be
All do is keep the beat and bad company
All I do is kiss you through the bars of a rhyme
Julie I'd do the stars with you any time
Fazia tempo que eu não ouvia Dire Straits. Como eu tinha pouca variedade musical pra ouvir durante a viagem, e nem sempre estava a fim de ouvir uma ou outra música/banda, acabei ouvindo certo artistas algumas dezenas de vezes. E fiquei com essas estrofes tão bonitinhas na cabeça (aiai, bichinha).
Blogadas, talvez elas desgrudem =P
- Mood:
melancholy
De acordo com esse link , o histórico do meu navegador no trabalho diz que eu sou 89% homi, e só 11% mulherzinha. Parei de ler o Perez Hilton e olha só o que acontece....
Riam e me chamem de brega, mas me emocionei com a abertura da Olimpíada (vide meu Twitter). Foram as atletas muçulmanas entrando de véu no desfile, os atletas de países pequenos, que desfilaram com o mesmo abrigo que vão usar nas competições, sem um uniforme frufru específico. E com a delegação da China, entrou um piá de 9 anos, sobrevivente do primeiro terremoto em Sichuan. Mas não era um mero piá sobrevivente. Lin Hao ajudou a remover uns coleguinhas dos escombros, e se negou a parar até que todos os colegas tivessem sido resgatados. No fim, o guri saiu um pouco machucado, dava pra ver que tinha um pedaço da cabeça ainda sem cabelo.
Y los hermanos, mui maloqueros, tuvieram en su desfile una chica passeando en los ombros de um chico.
Bacana que, dessa vez, não soltaram pombos brancos durante a cerimônia. Em vez disso, escolheram umas bailarinas muito bonitas que emularam pombos com os braços. Um telão ao redor do estádio também mostrou imagens de pessoas emulando os pombos. O Peta deve ter ficado contente.
E, pra me deixar mais emocionada ainda, Li Xiaoshuang, um atleta da ginástica olímpica, carregou a tocha dentro do estádio. No fim, quem acendeu a pira foi outro ginasta, Li Ning. Super brega, ele foi içado, e percorreu o estádio "voando". Azar, achei emocionante.
================
Não pude deixar de apreciar, mas sei que a cerimônia foi planejada para ser uma grande propaganda do indecente regime chinês. =(
Y los hermanos, mui maloqueros, tuvieram en su desfile una chica passeando en los ombros de um chico.
Bacana que, dessa vez, não soltaram pombos brancos durante a cerimônia. Em vez disso, escolheram umas bailarinas muito bonitas que emularam pombos com os braços. Um telão ao redor do estádio também mostrou imagens de pessoas emulando os pombos. O Peta deve ter ficado contente.
E, pra me deixar mais emocionada ainda, Li Xiaoshuang, um atleta da ginástica olímpica, carregou a tocha dentro do estádio. No fim, quem acendeu a pira foi outro ginasta, Li Ning. Super brega, ele foi içado, e percorreu o estádio "voando". Azar, achei emocionante.
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Não pude deixar de apreciar, mas sei que a cerimônia foi planejada para ser uma grande propaganda do indecente regime chinês. =(
(escrito no ônibus comum)
Deu xabú em um processo que eu tenho no interior, e a resolução do problema passar por bater um papo com a dotôra juiza. E é por isso que agora, domingo à noite aqui estou eu, viajando para Sananduva.
Pode-se comprar passagem pra Sanan tanto no guichê de vendas intermunicipais quanto direto na Unesul (PIOR empresa de transporte rodoviário da história dos transportes rodoviários), pra ir numa das linhas interestaduais pinga-pinga.
Só de curiosa, fui verificar os preços e horários no guichê interestadual. E descobri que as passagens custavam uns 10 reais a menos. Bagaceira e muquirana, comprei o bilhete mais barato mesmo. No tiquete dizia "Comum". Mas não me incomodei, Afinal, se ônbus é interestadual, ele não pode ser tãããão ruim assim.
(Socorro, acaba de entrar uma tia com uma criança de colo!)
Além do mais, faz um bom tempo que não vejo ônibus que não tenha sequer ar condicionado. Como o meu tamanho (entrou até um vendedor de lanche!) me perrmite ficar confortável em praticamente qualquer espaço, ar condicionado é o único luxo que realmente me importa.
E vejam só: o ônibus interestadual pode ser tãããão ruim assim. E, de fato, ainda existem ônibus que não têm ar condicionado. Banheiro até que tem, mas só porque deve ser alguma exigência legal. E esse ônibus fede.
Olhei pro ônibus e lembrei de um comentário do meu pai de que os da Unesul foram, são e SEMPRE serão os piores ônibus. Eu pensei que isso já tinha sido superado, que hoje em dias os carros não poderiam mais ser tão lixões. Mas, sim, eles são.
Quando o motorista confirmou que o carro não não tinha ar condicionado, tive vontade de dar meia volta e pegar o ônibus um pouco mais caro, mas mais digno. Mas não devolvem mais o dinheiro se tu desiste da viagem em cima da hora e eu não tava muito no espírito de fazer um barraco, ou de jogar 40 reais fora.
Resultado: pra economizar 10 pilas, tô num ônibus indecente, fedido, sem ar condicionado, pinga-pinga, com uma criança de colo à bordo, e minha viagem vai levar 2 horas a mais do que na outra linha.
E não sei mais o que pode acontecer nas próximas horas.
De tudo isso, eu já tiro algumas lições:
1) Eu nunca deveria ter duvidado da sabedoria do meu pai, que disse que os ônibus da Unesul foram, são e SEMPRE serão os piores.
2) A avareza é um pecado muito grave. O conforto vale cada centavo dos 10 reau. Minha quota de sacrifício viário eu já faço durante a semana, andando de Fusca. Não preciso fazer esforço extra.
E agora o ônibus começou a feder bem mais.
Boa sorte para mim nas próximas horas. Ao menos trouxe toda a minha parafernália de viagens, como travesseiro inflável, ipod, palm com joguinhos e um livro.
No fundo, eu queria só cair no sono e acordar lá em Sananduva. Mas nem dormir em paz eu posso, porque Sananduva é só uma das dezenas de paradas do bus e, se eu ratear, vou acordar em Joaçaba, Santa Catarina.
O lado bom é que, depois dessa viagem, a FUNAI certamente vai renovar minha licença indígena.
Updates pós-viagem:
1. Na metade do trajeto entrou um cara fedendo a cachaça, e ele ficou atrás de mim. Até agora to com o nariz impregnado com o fedor da criatura
2. Depois de ter conseguido seguir viagem sozinha por diversas paradas, uma tia sentou do meu lado e acabou com o único conforto que eu tinha, que eram dois bancos (pra pessoas de um metro e meio, dois bancos de ônibus são uma cama).
3. Logo depois de a tia entrar, o ônibus pegou uma estrada de chão e nela permaneceu por quase uma hora.
4. A criança de colo me surpreendeu e nem ouvi a voz dela durante a viagem. Impressionante
Deu xabú em um processo que eu tenho no interior, e a resolução do problema passar por bater um papo com a dotôra juiza. E é por isso que agora, domingo à noite aqui estou eu, viajando para Sananduva.
Pode-se comprar passagem pra Sanan tanto no guichê de vendas intermunicipais quanto direto na Unesul (PIOR empresa de transporte rodoviário da história dos transportes rodoviários), pra ir numa das linhas interestaduais pinga-pinga.
Só de curiosa, fui verificar os preços e horários no guichê interestadual. E descobri que as passagens custavam uns 10 reais a menos. Bagaceira e muquirana, comprei o bilhete mais barato mesmo. No tiquete dizia "Comum". Mas não me incomodei, Afinal, se ônbus é interestadual, ele não pode ser tãããão ruim assim.
(Socorro, acaba de entrar uma tia com uma criança de colo!)
Além do mais, faz um bom tempo que não vejo ônibus que não tenha sequer ar condicionado. Como o meu tamanho (entrou até um vendedor de lanche!) me perrmite ficar confortável em praticamente qualquer espaço, ar condicionado é o único luxo que realmente me importa.
E vejam só: o ônibus interestadual pode ser tãããão ruim assim. E, de fato, ainda existem ônibus que não têm ar condicionado. Banheiro até que tem, mas só porque deve ser alguma exigência legal. E esse ônibus fede.
Olhei pro ônibus e lembrei de um comentário do meu pai de que os da Unesul foram, são e SEMPRE serão os piores ônibus. Eu pensei que isso já tinha sido superado, que hoje em dias os carros não poderiam mais ser tão lixões. Mas, sim, eles são.
Quando o motorista confirmou que o carro não não tinha ar condicionado, tive vontade de dar meia volta e pegar o ônibus um pouco mais caro, mas mais digno. Mas não devolvem mais o dinheiro se tu desiste da viagem em cima da hora e eu não tava muito no espírito de fazer um barraco, ou de jogar 40 reais fora.
Resultado: pra economizar 10 pilas, tô num ônibus indecente, fedido, sem ar condicionado, pinga-pinga, com uma criança de colo à bordo, e minha viagem vai levar 2 horas a mais do que na outra linha.
E não sei mais o que pode acontecer nas próximas horas.
De tudo isso, eu já tiro algumas lições:
1) Eu nunca deveria ter duvidado da sabedoria do meu pai, que disse que os ônibus da Unesul foram, são e SEMPRE serão os piores.
2) A avareza é um pecado muito grave. O conforto vale cada centavo dos 10 reau. Minha quota de sacrifício viário eu já faço durante a semana, andando de Fusca. Não preciso fazer esforço extra.
E agora o ônibus começou a feder bem mais.
Boa sorte para mim nas próximas horas. Ao menos trouxe toda a minha parafernália de viagens, como travesseiro inflável, ipod, palm com joguinhos e um livro.
No fundo, eu queria só cair no sono e acordar lá em Sananduva. Mas nem dormir em paz eu posso, porque Sananduva é só uma das dezenas de paradas do bus e, se eu ratear, vou acordar em Joaçaba, Santa Catarina.
O lado bom é que, depois dessa viagem, a FUNAI certamente vai renovar minha licença indígena.
Updates pós-viagem:
1. Na metade do trajeto entrou um cara fedendo a cachaça, e ele ficou atrás de mim. Até agora to com o nariz impregnado com o fedor da criatura
2. Depois de ter conseguido seguir viagem sozinha por diversas paradas, uma tia sentou do meu lado e acabou com o único conforto que eu tinha, que eram dois bancos (pra pessoas de um metro e meio, dois bancos de ônibus são uma cama).
3. Logo depois de a tia entrar, o ônibus pegou uma estrada de chão e nela permaneceu por quase uma hora.
4. A criança de colo me surpreendeu e nem ouvi a voz dela durante a viagem. Impressionante
Meu nome do meio é Gyver, MacGyver
Algumas horas depois de ter trancado o auto com a chave dentro, mais uma proeza aconteceu.
Quando fui tirar o carro da garagem, coloquei a chave n ignição, girei, girei e, de repente, a chave ficou muito leve. Achei estranho, porque o carro continuou desligado. Tchans!!!! A chave quebrou na ignição, e eu fiquei só com a parte de cima na mão =|
Felizmente, a garagem onde o carro estava é do lado do escritório, e do lado de um chaveiro (eu e os meus amigos chaveiros). Fui ao tal sr. Chaveiro, já resignada com o problema. É um Fusca, não dá pra esquentar muito.
O sr. Chaveiro ficou meio preocupado com o relato. Disse que, provavelmente, teria que abrir o miolo da fechadura pra fazer uma cópia da chave, caso eu não tivesse uma sobrando. E a conta passaria dos 80 mangos. Ugh.
Chegando na garagem, tivemos que mover um pouco o carro para um local com mais luz. Como sabem, carros de luxo como o meu não tem essas frescuras de iluminação interna. Empurrado o carro, o meu amigo Chaveiro teve uma outra idéia: abriu a fechadura por trás, de forma que fosse possível ligar o Porsche com uma... chave de fenda! Funcionou perfeitamente, coisa mais fina. Lembrei que poderia ter uma chave reserva em casa, e o prejuízo, então, seria bem pequeno. Só tinha outro problema: o carro não pegava.
Quando o bbbbbbbbbólido voltou da internação, meu tio avisou que a bateria estava ruim, e deveria ser trocada com urgência, pois algum dia nos deixaria na mão. Ele não trocou porque a nossa poderia estar na garantia. A idiota otimista pensou "mas capaz que vai dar problema... Funcionou vários dias, nada vai acontecer." Minha mãe ainda insistiu pra eu ver isso da bateria, mas a cabeça-dura nada. Até que, num belo dia, ela me deixou mesmo na mão.
A volta pra casa nessa noite foi uma coisa sofisticada: a ignição acionada com uma chave de fenda, e o carro ligado pelo empurrão do chaveiro.
====
Cada vez mais assaltante do meu próprio carro, resolvi eu mesma tentar tirar o pedaço de chave que ficou na ignição. Desci armada com uma pinça e minha super mixa. Marginal que sou, peguei logo a mixa, e logo na primeira tentativa, consegui tirar a chave.
Também levei junto uma chave de fenda, para tentar ligar o carro. Naturalmente, a tentativa foi bem sucedida, mas a bateria não contribuiu em nada. Descobri, ainda, que a chave de casa, e mesmo aquelas chaves quadriface podem ser usadas para ligar o Fusca. Notem o nível de segurança que tem um carro desses!
Por fim, a última tarefa foi colocar de volta a ignição. Super mega MacGyver, me enfiei dentro do carro por baixo do "painel" (não dá pra dizer que o Fusca tem exatamente um painel), pedi uma ajuda para a Aninha na iluminação (lembrem-se de que o Porsche não tem essas firulas de luzes pra todos os lados) e, com a mesma chave de fenda que usei pra ligar, coloquei o troço de volta no lugar.
Tentei usar a chave que deveria ser a reserva, mas não deu certo. Como eu sou MacGyver, mas sou loira, resolvi não mexer muito, pra evitar que ficasse pior. Então tirei de novo o miolo, pra poder usar o novo método regular de ligação, via chave de fenda.
===
Na mesma noite empurramos o Fusca para dar a partida e meu irmão me levou ao Pancho's, na come/bebemoração da Carol. Não quis arriscar andar com o auto sem bateria pelas ruas de Porto Alegre à noite, mas não poderia deixar de passear por ai com essa nova enjambração.
Algumas horas depois de ter trancado o auto com a chave dentro, mais uma proeza aconteceu.
Quando fui tirar o carro da garagem, coloquei a chave n ignição, girei, girei e, de repente, a chave ficou muito leve. Achei estranho, porque o carro continuou desligado. Tchans!!!! A chave quebrou na ignição, e eu fiquei só com a parte de cima na mão =|
Felizmente, a garagem onde o carro estava é do lado do escritório, e do lado de um chaveiro (eu e os meus amigos chaveiros). Fui ao tal sr. Chaveiro, já resignada com o problema. É um Fusca, não dá pra esquentar muito.
O sr. Chaveiro ficou meio preocupado com o relato. Disse que, provavelmente, teria que abrir o miolo da fechadura pra fazer uma cópia da chave, caso eu não tivesse uma sobrando. E a conta passaria dos 80 mangos. Ugh.
Chegando na garagem, tivemos que mover um pouco o carro para um local com mais luz. Como sabem, carros de luxo como o meu não tem essas frescuras de iluminação interna. Empurrado o carro, o meu amigo Chaveiro teve uma outra idéia: abriu a fechadura por trás, de forma que fosse possível ligar o Porsche com uma... chave de fenda! Funcionou perfeitamente, coisa mais fina. Lembrei que poderia ter uma chave reserva em casa, e o prejuízo, então, seria bem pequeno. Só tinha outro problema: o carro não pegava.
Quando o bbbbbbbbbólido voltou da internação, meu tio avisou que a bateria estava ruim, e deveria ser trocada com urgência, pois algum dia nos deixaria na mão. Ele não trocou porque a nossa poderia estar na garantia. A idiota otimista pensou "mas capaz que vai dar problema... Funcionou vários dias, nada vai acontecer." Minha mãe ainda insistiu pra eu ver isso da bateria, mas a cabeça-dura nada. Até que, num belo dia, ela me deixou mesmo na mão.
A volta pra casa nessa noite foi uma coisa sofisticada: a ignição acionada com uma chave de fenda, e o carro ligado pelo empurrão do chaveiro.
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Cada vez mais assaltante do meu próprio carro, resolvi eu mesma tentar tirar o pedaço de chave que ficou na ignição. Desci armada com uma pinça e minha super mixa. Marginal que sou, peguei logo a mixa, e logo na primeira tentativa, consegui tirar a chave.
Também levei junto uma chave de fenda, para tentar ligar o carro. Naturalmente, a tentativa foi bem sucedida, mas a bateria não contribuiu em nada. Descobri, ainda, que a chave de casa, e mesmo aquelas chaves quadriface podem ser usadas para ligar o Fusca. Notem o nível de segurança que tem um carro desses!
Por fim, a última tarefa foi colocar de volta a ignição. Super mega MacGyver, me enfiei dentro do carro por baixo do "painel" (não dá pra dizer que o Fusca tem exatamente um painel), pedi uma ajuda para a Aninha na iluminação (lembrem-se de que o Porsche não tem essas firulas de luzes pra todos os lados) e, com a mesma chave de fenda que usei pra ligar, coloquei o troço de volta no lugar.
Tentei usar a chave que deveria ser a reserva, mas não deu certo. Como eu sou MacGyver, mas sou loira, resolvi não mexer muito, pra evitar que ficasse pior. Então tirei de novo o miolo, pra poder usar o novo método regular de ligação, via chave de fenda.
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Na mesma noite empurramos o Fusca para dar a partida e meu irmão me levou ao Pancho's, na come/bebemoração da Carol. Não quis arriscar andar com o auto sem bateria pelas ruas de Porto Alegre à noite, mas não poderia deixar de passear por ai com essa nova enjambração.

