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Recordar é viver

Fui mexer nos arquivos velhos do Hotmail e encontrei o email abaixo, de que nem lembrava mais. Essa foi a mensagem de bota-fora que um grupo de amigos do Direito me mandou quando, no início de 2004, fui pra Londres.

É provável que a maioria não vá achar tanta graça no post, cheio de trocadilhos do juridiquês. Publico mesmo assim. Foi uma surpresa legal encontrar esse texto, e achei que ele merecia um lugar aqui.

Nos últimos anos me queixei muito da faculdade, e não me dei conta de que estava sendo terrivelmente injusta com muita gente. Fiz bons amigos durante os 4 anos que estudei com a turma da noite de 2000. Se hoje não sou mais tão próxima deles, é um pouco de culpa minha, que sabiadamente sou uma amiga relapsa. Além disso, tranquei o curso por um ano. Quando voltei, meus colegas já tinham se formado e o grupo sofreu uma dispersão natural. Eu sei que o tempo não volta, mas hoje senti saudades daquela turma. Graças a essa saudade, tiro as teias de aranha do blog num tom um pouco nostálgico

Despacho sacaneador‏

Vistos, etc...

GRUPO DO FUNDÃO SOCIEDADE DE ANÔNIMOS ajuizou a presente ação de rito de ordinários visando a condenação de LUCIANA BRUSCO à prestação de alimentos durante uma noite, em estabelecimento à escolha deste juízo.

Alega o respeitável grupo ser a medida de caráter cautelar, pois estaria a denunciada prestes a evadir-se do país, referindo também a má reputação da demandada.

Em contestação, alega a ré nada de importante, chegando mesmo a referir, às fls. 171 dos autos, que “prefere mesmo pagar uma noitada no Madrigal prá toda a galera do fundão a ir embora assim, fugindo que nem o Sérgio Naya”.

Decido.

Tratando-se as alegações de fatos notórios, entende este julgador dispensada a produção de provas, bem como a fundamentação na condenação. Pelo exposto, julgo procedente o pedido, para condenar Luciana Brusco à pagar uma esbórnia para a Turma de Trás. Arbitro o período de cumprimento em 1 N.A.M. (noite de aula matada), correspondente a 4 horas, no Madrigal, ou 3 NAMs no Anexo. Por tratar-se de sentença mandamental, dispendado o processo de execução, prá q toda essa cachaça chegue mais rápido! Axé!

Nicolas Marchau

Letra e música

Não consigo evitar associar pessoas/situações e músicas. É involuntário: quando me dou conta, identifico uma música com alguém, ou com algum acontecimento da minha vida. Na maior parte das vezes, a pessoa nem sabe que aquela é "sua" músisca. Tem vezes que a música parece não ter nada a ver com nada, mas quando páro pra pensar, é tarde demais, a associação já foi feita.

Ouvir as músicas, obviamente, traz as memórias de volta. Quantas vezes já escutei uma música por acaso, e relembrei de alguma coisa? E isso pode tanto ser muito legal, quanto uma merda. Pode, inclusive, ser as duas coisas, quando a lembrança que o som traz é a saudade de alguém querido, como minha manas, ou mesmo de épocas passadas.

E porque pode ser uma merda, tem músicas em que preciso dar sumiço de vez em quando. Esconder o CD, mover pra uma pasta esquecida, ou mesmo apagar do HD. O chato é que de muitas músicas que se tornam proibidas eu gosto, já gostava antes da associação acontecer. Mas não, não posso ouvir. Dá uma pequena revolta, tenho a estranha sensação de que a pessoa "roubou" a minha música. Mesmo que, como já disse, as pessoas sequer saibam que foram "etiquetadas" com a música X ou Y. Eventualmente, eu consigo voltar a ouvir as músicas proibidas sem ficar triste. Volta e meia escuto algumas músicas "proibidas", pra descobrir como eu realmente estou em relação às lembranças que elas trazem. No fim das contas, a música também funciona com um "termômetro".

O melhor é ligar o iTunes ou o iPod no random e ter agradáveis surpresas com as escolhas que ele fez. As músicas entristecedoras geralmente nem estão nas playlists, então a maior parte das surpesas é boa. Já abri um sorriso bobo no ônibus ouvindo músicas que me lembram da Carolina, ou de um show que fui com a Millu lá em 1997. Também já chorei escutando músicas que deveriam ter sido apagadas.

Sim, estou um pouco nostálgica. Mas é legal lembrar do passado, ter história na vida, ter referências

Demência mental judicial

Fazendo um grande esforço pra não fugir correndo e gritando. Acabei de redigir uma petição implorando pra uma juíza proferir uma manifestação com caráter decisório (=dar uma decisão que decida, literalmente), porque na decisão anterior ela decidiu que não ia decidir sobre o assunto.
Se ela não der uma decisão decicindo, tenho que entrar com um processo pedindo que a obriguem a decidir. Ela vai ser obrigada a dizer qualquer coisa. Depois de ela decidir, se eu não gostar da decisão, daí então entro com um recurso pra mudar a decisão.
Dai segue o baile do processo principal.
Argh, argh, argh.

26 things you don't need anymore

Direto de uma lista da Men's Health :

25. The idea that life is over when you fail. Because it's really just begun again.

Túnel do tempo II

When I look into your eyes
I can see love restrained
But darlin' when I hold you
Don't you know I feel the same

'Cause nothing lasts forever
And we both know hearts can change
And it's hard to hold a candle
In the cold november rain

We've been through this such a long, long time
Just tryin' to kill the pain

But lovers always come and lovers always go
And no one's really sure who's lettin' go today
Walking away

If we could take the time to lay it on the line
I could rest my head just knownin' that you were mine
All mine
So if you want to love me
Then darling dont't refrain
Or you'll just end up walkin' in the cold november rain

Do you need some time on your own
Do you need some time all alone
Evereybody needs some time on their own
Don't you know you need some time all alone

I know it's hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if could hear a broken heart
Wouldn't time be out to charm you

Sometimes I need some time on my own
Sometimes I need some time all alone
Everybody needs some time on their own
Don't you know you need some time all alone

And when your fears subside and shadows still remain
I know that you can love me when there's no one left to blame
So never mind the darkness
We still can find a way
'Cause nothing lasts forever, even cold november rain

Don't ya think that you need somebody
Don't ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You're not the only one
You're not the only one


Mais velha que a minha vó

Túnel do tempo

Desentarrada do CD

Guns 'n' Roses - You ain't the first

I tried so hard just to
get through to you
But your head's so far
from the realness of truth
Was it just a come on in the dark
Wasn't meant to last long
I think you've worn your welcome honey
I'll just see you along as I
sing you this song

Time can pass slowly,
things always change
You day's been numbered
And I've read your last page
You was just a temporary lover
Honey you ain't the first
Lots of others came before you woman
Said but you been the worst
Sa' you been the worst

So goodbye to you girl
So long, farewell
I can't hear you cryin'
Your jivin's been hell
So look for me walkin'
Down your street at night
I'll be in with another
Deep down inside


Fail =|

Coisas de mulherzinha

Tenho feito avanços consideráveis na tarefa de ser uma mulherzinha mais decente. Certamente já fui à manicure mais de 10 vezes nesse ano, um recorde absoluto (talvez se juntar 2004, 2005, 2006 e 2007, eu consiga somar 10 visitas a manicures). E nos últimos dois meses, consegui adquirir o hábito de passar hidratante no rosto. Como brinde, ganhei também o hábito de passar protetor solar no rosto antes de sair de casa, porque o creme frufru vem com filtro.
O único hábito que não colou e acho que nunca vai colar é a maquiagem. No máximo um batom no inverno, pros lábios não secarem e enfeiarem.
Tenho diversos problemas com a maquiagem. Um deles é que não dá pra ficar coçando os olhos pra não estragar. Não que eu precise coçar os olhos 7 vezes por dia, mas só de saber que não posso, tenho vontade.
Outro problema é que a maquiagem tem de ser retirada. Lembro de quando comecei a sair à noite com as amigas. Elas todas lindas com suas maquiagens elaboradas e bem-feitas, e eu com o mínimo existencial, executado mal e porcamente. Desde aquela época eu não via sentido em realizar um esforço sobre-humano (pra mim é muito complicado fazer um traço reto com um lápis de olho) pra fazer uma maquiagem e, antes de dormir, com o maior sono, ter de tirar tudo. E se ficasse com alguém, pior! Beijo na boca = gosto de batom + duas pessoas borradas. Beijos no rosto = gosto de base/pó/blush. Ugh!
Eu sei, vão me dizer que com a prática, eu aprendo. Mas me convenci de que não quero aprender. Maquiagem só quando estritamente necessário. Nas ocasiões em que precisar me maquiar bem linda, vou a um salão de beleza. A variedade de produtos e cores que o maquiador vai ter, eu jamais teria. Sai até mais barato pagar alguém uma ou duas vezes por ano (quando eu realmente preciso de uma maquiagem boa) do que comprar um monte de coisas que vão apodrecer bem antes de acabar.
Excluído o fardo da maquiagem, a tarefa para os próximos meses é ir ainda mais freqüentemente à manicure. Isso é outra coisa que eu poderia fazer em casa, mas também me faltam habilidade e paciência. Há anos eu tento fazer minhas unhas e há anos me irrito (Millu, acho que, entre os vários surtos de irritação, tu ainda não me viu brigar com as coisas de fazer unhas. Grande "perca"). Ou me tiro uns pedaços dos dedos, ou não consigo pintar direito (consigo fazer meleca até com esmalte branquinho) ou ambos. Desisti.
Gostei de adotar a teoria de pagar para que uma pessoa com os conhecimentos específicos faça bem-feita uma tarefa que eu faria meia-boca. Felizmente, tem uma coisa de que não dá pra reclamar nesse país: preços de tias embelezadoras. Pelo trabalhão que dá e pelo tempo que perdem, as manicures custam MUITO barato. Os poucos reais que eu gasto pagam todo o desgosto que eu deixo de ter.
E, por fim, outra coisa de que muito me orgulho: aboli lâminas da minha vida. Sou o orgulho das depiladoras, faz muito tempo que não uso gilette ou similares para sumir com os malditos pelos que insistem em me enfeiar. Sempre dói, mas consegui me disciplinar pra sumir com as lâminas da minha vida. Sou uma pessoa bem melhor, tenho certeza.
Acho sempre muito bom visitar parentes no interior. Dessa vez, eu não estava muito a fim de vir, mas eu tinha certeza de que chegando aqui, acharia ótimo e ainda iria me arrepender se tivesse ficado em casa.
Vim.
Como sempre, super bem recebida, e sempre com muita e deliciosa comida. Começou pelo café da manhã na tia Ana: BOLO DE MILHO com coco. AMO bolo de milho (como deu pra perceber nos meus twitts), é o melhor bolo de todos. Para o almoço, churrasco de ovelha. Sou meio cri-cri para comer ovelha, mas é claro que a carne aqui estava excelente. À tarde, mais bolo de milho na tia Ana e depois, a única torta de bolacha do mundo na casa da vó. Não como torta de bolacha em nenhum outro lugar. Nhaaaam. Talvez sobre um pouco pra levar "pro mano".
Quase fiquei triste com a janta. Tava contando com uma sopa de agnolini (capeletti é coisa de porto-alegrense), mas não conseguiram encontrar bons agnolinis na cidade. Ainda assim, a vó conseguiu fazer um caldo sensacional e serviu sopa de massa mesmo. Não tão bom quanto seria o agnolini, mas ainda assim, delicioso.
De volta à casa da tia Ana, uma das primas (Joana) ofereceu um chocolate frufru que tinha ganhado do namorado e não gostou. Comi pra não sobrar =P
O cardápio do almoço de amanhã ainda não foi decidido pelas tias, mas sei que não preciso me preocupar. Qualquer coisa que escolherem será muito boa.
Para o café da manhã, mais bolo de milho. Só paro de comer quando acabar.
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Sananduva (cidade do interior onde eu estou) é lugar para embelezamentos baratos. Por DEZ REAIS, a manicure super querida e habilidosa faz mãos e pés.
Hoje ousei e pintei as unhas do pé com o mesmo rosa chamativo das mãos. Não lembro de já ter feito isso, era sempre uma base ou uma cor clarinha nas unhas dos pés. Ainda não me acostumei, fico o tempo todo olhando pra baixo. Fiquei com medo de parecer meio brega, mas acho que está legal.
Mais tarde, as primas e as tias noveleiras observaram que a cor das minhas unhas é a mesma da Deborah Secco, na novela das 8. "PQP! Que péssimo!" Deu vontade de tirar, odeio usar "o que estão usando na novela". Mas dane-se, não sou tão culta e fina assim pra ficar repudiando sempre todas as modinhas lançadas pela Globo. Achei a cor bonita e, em minha defesa, foi apenas coincidência.
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Minha vó ainda não conseguiu se conformar com meu cabelo loiro platinado. Acho que da próxima vez que vier, pra evitar o desgosto dela, usarei uma peruca.
Eu também gostava da cor original, mas me identifiquei bastante com o cabelo "novo", ele fica assim por mais um bom tempo.
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Visitar a família no interior só tem uma coisa MUITO ruim: banho com chuveiro elétrico. Acho que os parentes têm alguma coisa muito séria e secreta contra aquecedores a gás ou boilers. Só pode ser isso, porque não consigo achar um bom motivo para que as pessoas não usufruam do conforto de um banho decente nas suas casas.

Zona de guerra

Livros, computador, guitarra, tênis, echarpe, tênis, havaianas de pedreiro, processo, bolsas, revistas, mochila, pijama de bolinhas, óculos, amplificador, creme pras mãos, sabonete para o rosto, revistas, carregadores de celular e do note, e uma série de outras pequenas tranqueiras.
Tudo isso jogado nos 6,6m² do meu quarto. Como sempre, parece um furacão passou por aqui. Concluo que no meu quarto não tem espaço suficiente pra todas as minhas tralhas. Portanto, é muito difícil que meu quarto algum dia fique perfeitamente arrumado (viu, Millu? A culpa do estado de calamidade do meu quarto não é minha, mas do engenheiro que desenhou minha suíte tão pequena).
E olha que parei de comprar sapatos e roupas há uns 3 meses!

Certos lugares

A cidade de Óbvio fica exatamente onde você esperava que ela ficasse. Está identificada no mapa pela palavra "Óbvio". Quem for de carro deve seguir as sinalizações na estrada que mostram o caminho para se chegar lá. Pode-se ir de ônibus, tendo o cuidado de não pegar um ônibus que vá para outro lugar. Ou de trem, desde que desça na estação certa. A estação de Óbvio é facilmente identificável. É a única que tem uma tabuleta onde está escrito "Óbvio". Se o nome na estação for outro, não é Óbvio. É óbvio.
Em Óbvio existe uma praça central onde ficam a igreja matriz e a prefeitura. A igreja é usada para missas, enquanto a administração da cidade se concentra, convenientemente, na prefeitura. Apesar de uma certa mesmice, as casas de Óbvio, todas feitas com material de construção, se distinguem por certos detalhes arquitetônicos, como janelas e portas. Existem ruas. A cidade de Óbvio está cheia de lugares comuns.
Em Óbvio conversa-se pouco. Primeiro porque, desde a fundação da cidade, ninguém jamais teve um pensamento original e os assuntos se repetem. Segundo porque as pessoas não precisam dizer nada. Em Óbvio está tudo na cara.
Os principais produtos da região são truísmos e as coisas feitas ali mesmo. Quando a temperatura baixa faz frio, mas os termômetros sobem quando esquenta. E Óbvio tem uma peculiaridade climática: lá chove no molhado.
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Não longe dali fica a cidade de Desgraça. O único hotel de Desgraa se chama Ostracismo e fica numa rua escura de pouco movimento. Quem cai em Desgraça vai automaticamente para o Ostracismo. Na sua lista de hóspedes estão alguns nomes ilustres dos quais raramente se ouve falar.
-Que fim levou o fulano?
-Está no Ostracismo.
É difícil registrar-se no hotel porque muitas vezes o próprio pessoal da recepção recusa-se a falar com o recém-chegado. O máximo da rejeição é alguém ser persona non grata no Ostracismo.
O hotel tem um bar, o Pária's, e um restaurante, o L'Execrable. No bar só servem uísque "black label" - todos os uísques vêm com uma tarja preta. Do Black & White só servem o Black. A massa do pão para o restaurante é amassada no próprio hotel, pelo Diabo. A Suíte Ex-Presidencial, reservada para os presidentes qeu chegam a Desgraça, tem a vantagem de dar para um paredão. Os outros quartos não dão para nada.
O prédio do hotel não tem poço, tem depressão. Os elevadores só descem. Os quartos têm frigobar mas o frigobar não tem porta. O chuveiro, no banheiro, tem duas torneiras: "Frio" e "Mais Frio". Quando você chama o serviço de quarto vem um ladrão e faz o serviço no seu quarto. O cartão para pendurar do lado de fora da porta diz "Perturbem perturbe:. A roupa de cama , mudada a cada década pelos Três Patetas, é uma velha calça de brim rasgada e uma camiseta desdobrada com os dizeres "Torcida Organizada do Jabaquara".
Nunca há visitantes para quem está no Ostracismo. Ninguém lhe telefona. Não chegam cartas, só velhas contas a ajustar.
É o único hotel do mundo onde as baratas têm nojo dos hóspedes.

De novo, Luis Fernando Veríssimo. Crônica publicada na Zero de 21 de maio de 1995, na antiga Revista ZH. Melhor crônica de todos os tempos. Até hoje eu guardo o recorte de jornal