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O ônibus comum

(escrito no ônibus comum)
Deu xabú em um processo que eu tenho no interior, e a resolução do problema passar por bater um papo com a dotôra juiza. E é por isso que agora, domingo à noite aqui estou eu, viajando para Sananduva.
Pode-se comprar passagem pra Sanan tanto no guichê de vendas intermunicipais quanto direto na Unesul (PIOR empresa de transporte rodoviário da história dos transportes rodoviários), pra ir numa das linhas interestaduais pinga-pinga.
Só de curiosa, fui verificar os preços e horários no guichê interestadual. E descobri que as passagens custavam uns 10 reais a menos. Bagaceira e muquirana, comprei o bilhete mais barato mesmo. No tiquete dizia "Comum". Mas não me incomodei, Afinal, se ônbus é interestadual, ele não pode ser tãããão ruim assim.
(Socorro, acaba de entrar uma tia com uma criança de colo!)
Além do mais, faz um bom tempo que não vejo ônibus que não tenha sequer ar condicionado. Como o meu tamanho (entrou até um vendedor de lanche!) me perrmite ficar confortável em praticamente qualquer espaço, ar condicionado é o único luxo que realmente me importa.
E vejam só: o ônibus interestadual pode ser tãããão ruim assim. E, de fato, ainda existem ônibus que não têm ar condicionado. Banheiro até que tem, mas só porque deve ser alguma exigência legal. E esse ônibus fede.
Olhei pro ônibus e lembrei de um comentário do meu pai de que os da Unesul foram, são e SEMPRE serão os piores ônibus. Eu pensei que isso já tinha sido superado, que hoje em dias os carros não poderiam mais ser tão lixões. Mas, sim, eles são.
Quando o motorista confirmou que o carro não não tinha ar condicionado, tive vontade de dar meia volta e pegar o ônibus um pouco mais caro, mas mais digno. Mas não devolvem mais o dinheiro se tu desiste da viagem em cima da hora e eu não tava muito no espírito de fazer um barraco, ou de jogar 40 reais fora.
Resultado: pra economizar 10 pilas, tô num ônibus indecente, fedido, sem ar condicionado, pinga-pinga, com uma criança de colo à bordo, e minha viagem vai levar 2 horas a mais do que na outra linha.
E não sei mais o que pode acontecer nas próximas horas.
De tudo isso, eu já tiro algumas lições:
1) Eu nunca deveria ter duvidado da sabedoria do meu pai, que disse que os ônibus da Unesul foram, são e SEMPRE serão os piores.
2) A avareza é um pecado muito grave. O conforto vale cada centavo dos 10 reau. Minha quota de sacrifício viário eu já faço durante a semana, andando de Fusca. Não preciso fazer esforço extra.
E agora o ônibus começou a feder bem mais.
Boa sorte para mim nas próximas horas. Ao menos trouxe toda a minha parafernália de viagens, como travesseiro inflável, ipod, palm com joguinhos e um livro.
No fundo, eu queria só cair no sono e acordar lá em Sananduva. Mas nem dormir em paz eu posso, porque Sananduva é só uma das dezenas de paradas do bus e, se eu ratear, vou acordar em Joaçaba, Santa Catarina.
O lado bom é que, depois dessa viagem, a FUNAI certamente vai renovar minha licença indígena.

Updates pós-viagem:
1. Na metade do trajeto entrou um cara fedendo a cachaça, e ele ficou atrás de mim. Até agora to com o nariz impregnado com o fedor da criatura
2. Depois de ter conseguido seguir viagem sozinha por diversas paradas, uma tia sentou do meu lado e acabou com o único conforto que eu tinha, que eram dois bancos (pra pessoas de um metro e meio, dois bancos de ônibus são uma cama).
3. Logo depois de a tia entrar, o ônibus pegou uma estrada de chão e nela permaneceu por quase uma hora.
4. A criança de colo me surpreendeu e nem ouvi a voz dela durante a viagem. Impressionante