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December 6th, 2006

Rio Grande, parte I: viagem de ida

Com mais de um mês de atraso, cá esta a primeira parte da minha aventura para Rio Grande. Como eu já tinha comentado com muita gente, a viagem de ida seria com um daqueles aviõezinhos da NHT. Uns dias antes da viagem eu estava bem empolgada, porque nunca tinha voado com esses aviões de hélice. Um noite antes, entretanto, eu me dei conta de que poderia fazer um tempo muito ruim na hora da viagem (estava chovendo a cântaros). Dai a empolgação se transformou em pavor.
É comum as pessoas se assustarem com a possibilidade de voar num aviãzinho num dia de chuva. E nesses tempos de tragédias áreas, mais comum ainda. Mas eu já tenho um pânico de avião anterior a esses desastres recentes. Eu quase comecei a chorar durante uma turbulência numa viagem, e isso que o avião era bem maior. Bateu um medão. Mas a passagem já estava comprada, e eu não ia pagar o mico de desmarcar porque estava com medo da chuva.
Então na manhã de segunda, dia 31 de outubro, lá estava eu no balcão de check-in da NHT, linda com meu salto alto e minha cara de sono. Eram 6 da manhã.
Depois de pegar o cartão de embarque, fui pra fila, que era maior do que eu imaginava pra um horário daqueles. Depois pensei que fazia sentido, porque é nessa hora que os executivos vão trabalhar.
E lá estava eu, no meio daqueles senhores arrumadinhos de terno, e daquelas senhoras caretas. Devo admitir que estava muito bem disfarçada no meio deles, com meu terno composto por um blazer Ralph Lauren (da minha irmã) e uma bermuda estilosa. Além de um belo sapato Chanel. Glamour é tudo.
Na hora de embarcar mesmo, me assustei com o tamanho do avião. Era realmente MUITO pequeno. Pra tentar me tranquilizar, perguntei pro piloto se voaríamos por cima da chuva (esperando que a minha pergunta fosse, na verdade, uma afirmação quase impositiva). E ele "não dá, VAMOS POR DENTRO DELA".
Antes de surtar, pensei com os meus botões "qualquer problema, eu importuno o comissário de borbo". Tsc tsc... Newbie, eu não sabia que não tem nada de aeromoça ou aeromoço nesses teco-tecos. É o piloto e olhe lá.
Sentei na minha poltrona e tentei não começar a chorar. Para a minha comodidade, tirei meus sapatinhos de cristal e, quando fui reclinar o assento, cadê a alavanca?! NEWBIE, essas coisas não têm nem aeromoça. Imagine se vão ter assentos reclináveis...
Precavida que sou, não tinha dormido quase nada na noite anterior. Então, incrivelmente, apesar da chuva e de toda a trepidção, em menos de 15 minutos eu estava sonhando com os anjos. Acordei já em Pelotas, onde o avião fazia escala. Peguei um exemplar do Diário Popular, ou algo que o valha, para ter o que fazer no próximo trecho da viagem, que levava menos de 20 minutos.
Graças à minha grande habilidade sonística, dormi de novo nesse meio-tempo. Acordei com a cara horrorosa.
Daí vi que a tia que saia antes de mim estava com óculos escuros, apesar do tempo nublado. Nâo tive dúvidas: em uma atitude completamente Diva, coloquei meus occhiali de perua e sai do avião chique e glamurosa. Com a cara amassada devidamente disfarçada.
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O aeorporto fica fora da cidade, e na espera do táxi, fiquei conversando com a tia que me inspirou a colocar os óculos. Ela, que já tinha voado dezenas de vezes nesses teco-tecos, disse que os aviõezinhos tinham evoluído bastante e que aquele em que voamos era muito estável. MUITO ESTÁVEL?! Oh, meu deus, o que é um avião que trepida?!
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Fui a Rio Grande pra resolver um rolo na Receita Federal. Chegando lá eu descubro que... ELES SÓ ABREM AS 13:00!
Não teve jeito de eu ser atendida. Tinha que esperar abrir pra atendimento externo. Que besta eu fui. Podia ter ligado antes pra confirmar os horários de atendimento. Mas não. Preferi chegar bem cedo pra poder ficar esperando. Eram 8:30 da manhã.
Como estava podre de cansada, resolvi procurar um hotel pra tirar um sono até o meio-dia. A hipótese de ficar estirada em algum banco de praça foi exlcuída logo de cara, porque lá também tinha chovido, e tava tudo, no mínimo, muito molhado (algumas lojas do calçadão tinham inundado).
Perguntei num ponto de táxi onde tinha um hotel MUITO barato. Todo mundo se olhou: eu tava ali, toda fru-fru, pedindo pra me indicarem onde tem um muquifinho.
Mandaram o mais desocupado me acompanhar até um lugar lá perto. E não é que TODOS os quartos chinelos single estavam ocupados?! Todos, todos, todos.
Lá mesmo perguntei onde tinha outro hotel. Me indicaram um melhorzinho, ali por perto. Completamente chinela, cheguei lá e perguntei se eles podiam me fazer meia diária, porque eu só queria um lugar pra dormir até o meio-dia. O cara da portaria deve ter pensado "lugar de pobre não é aqui", e disse que o máximo que ele podia oferecer era uma diária reduzida, no valor insignificante de cinqüenta reau. Quase cai pra trás, mas agradeci e perguntei se havia mais algum hotel nos arredores. Ele disse que sim, me explicou como chegar, e lá fui eu.
No caminho, passei pelo mesmo ponto de táxi de antes. Falei com os tios, e um dos motoristas disse que achava melhor que eu fosse de táxi. Claro que não fui, pensando "esse tio só quer me extorquir uma grana". Bem-feito pra mim.
O lugar era tri longe, e eu estava um lixo. Pra piorar, nesse hotelzinho mais chinelo tamém não tinha quarto single categoria pobre disponível. Tudotudo ocupado. Grrrrrrr.
O que ele tinha vago era alguma coisa com preço próximo aos R$ 50,00 do outro hotel. Mas como o outro era mais frufru, voltei pro outro, quase que me arrastando pela rua, e implorei por uma cama.
Cinqüenta reais mais pobre, cheguei no quarto, que não era nenhuma maravilha. Ainda, os pilantras nem me deixaram tomar café da manhã com a fortuna que eu paguei pra 4 horas de sono. Mas eu tava muito cansada pra fazer um bom barraco, e fui dormir. Voltei pro mundo real só as 13:00, horário em que eu planejava estar pegando o ônbius de volta, quando ainda estava saindo de Porto Alegre.

Frase do ano

I have been complimented many times and they always embarrass me; I always feel that they have not said enough.
Mark Twain