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Photograph

Every time I see your face
It reminds me of the places we used to go
But all I've got is a photograph
And I realize you're not coming back anymore

I thought I'd make it
The day you went away
But I can't make it
'Til you come home again to stay

I can't get used to living here
While my heart is broke, my tears are cried for you
I want you here to have and hold
As the years go by, and we grow old and gray

Now you're expecting me
To live without you
But that's not something
That I'm looking forward to


George Harrison + Ringo Starr

O que se faz numa horas dessas?

Terça-feira fui a um evento e acabei sentada do lado de um tio que fungava muito: muito alto, muito seguidamente. Parecia que as fungadas eram dentro do meu cérebro, de tão irritantes.
Com a cara mais educada e cordial que consegui fazer, ofereci com muita educação lencinhos de papel ao senhor fungante. Ele, mui polidamente, recusou minha oferta.
E CONTINUOU FUNGANDO POR UMA HORA E MEIA!
Ninguém escolhe quando vai ficar doente, e nem sempre se pode deixar de comparecer a certos compromissos por uma gripe boba. Isso eu entendo, tanto é que ofereci lencinhos de papel pro tio, que poderia estar fungando porque esqueceu da providenciá-los. Mas ele recusou os lenços e continuou fazendo seu insuportável barulho.
Eu sou facilmente irritável, reconheço. Mas não pode ser reconhecida como civilizada a atitude fungatória em público por quase duas horas.

Em Amnésia

Existem a Polinésia, a Indonésia e, pouca gente sabe, a Amnésia, um pequeno arquipélago no Pacífico cuja principal indústria é a fitinha para amarrar no dedo e lembrar o que não se quer esquecer, que os amnesianos costumam usar nos 10 dedos da mão, inutilmente, pois nunca se lembram por que estão usando. Quem acha que o Brasil é o país mais sem memória do mundo não conhece a Amnésia, que inclusive se classificou para as finais da última Copa do Mundo mas esqueceu de ir, ao contrário do Brasil, que foi mas esqueceu o futebol.
***
A profissão mais valorizada na Amnésia é a de historiador-romancista. Como ninguém se lembra de nada por mais de 15 minutos, os historiadores inventaram uma história grandiosa para o país que inclui até uma guerra contra os Estados Unidos, que ganharam, vários reis malucos e ditadores divertidos e heróis nacionais como o inventor do spray nasal e um amante da Rita Hayworth, além de muitos recordistas olímpicos e cinco vitórias na Copa do Mundo. A capital de Amnésia, cujo nome ninguém se lembra, tem dezenas de estátuas e monumentos homenageando atletas, generais, cientistas e filósofos que nunca existiram mas estão nos livros de história.
Segundo os historiadores, Amnésia já construiu sua bomba atômica, só esqueceu onde a botou.
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Amnésia também é conhecida como exportadora de garçons. Quase todos os imigrantes de Amnésia que você encontra no mundo são garçons. É fácil reconhecê-los porque são os que esquecem o seu pedido. Em Amnésia isto não era um problema porque quem pedia sempre esquecia o que tinha pedido e aceitava o que o garçom trouxesse, mas em outros países garçons amnesianos têm ouvido alguns desaforos. Que logo esquecem.
***
Em Amnésia não há adultério. Ou há, mas os traídos esquecem a traição com a mesma rapidez com que os adúlteros esquecem seu juramento de jamais repeti-la, e volta a paz. Uma velha tradição do país – segundo os historiadores – é o duelo pela honra. Quando os desafetos se encontram para resolver tudo com espada ou pistola ninguém se lembra mais da causa do duelo, e apesar da tradição nenhum duelo jamais foi realizado em Amnésia. Pelo menos que alguém se lembre.
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Os políticos em Amnésia são todos corruptos. Os escândalos se repetem mas as comissões parlamentares reunidas para investigá-los começam, invariavelmente, com seu presidente perguntando “Alguém se lembra por que estamos reunidos aqui?”. Como ninguém se lembra as comissões são desfeitas, até o escândalo seguinte, quando ocorre a mesma coisa. Já houve a sugestão de se formar as comissões antes dos escândalos, que são previsíveis, pois acontecem com a mesma regularidade com que são esquecidos. A sugestão foi aceita e logo esquecida. Há pouca renovação entre dirigentes e parlamentares amnesianos porque o público esquece o que eles fizeram e os reelege. Políticos que estão no poder há anos fazem campanha com o slogan “Finalmente uma cara nova” em todas as eleições e levam o voto do eleitor insatisfeito mesmo que não lembre bem com o quê. Leis são promulgadas, esquecidas, nunca exercidas e muitas vezes promulgadas de novo – e esquecidas de novo. Em Amnésia os computadores têm memória, mas ninguém se lembra pra que serve.
***
É bom viver no pequeno arquipélago de Amnésia, onde ninguém cobra dívidas, guarda rancor ou tem o que contar ao psicanalista, a não ser que invente. Os historiadores – romancistas providenciam as lembranças que ninguém tem. Se Amnésia se classificou para as finais da Copa – pelo menos tem quase certeza que se classificou, faz tanto tempo – e esqueceu de ir, por que não botar na história que foi e ganhou? Num país sem memória onde tudo é faz de conta, o passado pode ser o que a gente escolher.

Luís Fernando Veríssimo. Publicada originalmente em alguma edição de domingo de 2006 na Zero Hora e reporoduzida no caderno Donna de ontem

Propaganda eleitoral no blógue

Se você não tem candidato, vota Ulisses 13903. Aliás, mesmo que você tenha candidato, troca, e vota Ulisses 13903.
Patricinha que eu sou, vocês devem ficar espantados de o meu candidato ser da esquerda. É que, na verdade, eu votaria no Ulisses qualquer que fosse o partido por que ele concorresse. Isso porque eu tenho certeza (ele me prometeu em público) que ele não vai ser um "político profissional".
É a primeira vez que eu conheço de verdade um candidato. E só estou me expondo com essa propaganda aqui no blog porque confio muito no Uli, e sei que ele vai fazer o melhor trabalho possível na Câmara. Ou, na pior das hipóteses, ainda não que consiga trabalhar, não vai ser ladrão. Podem achar que é só papo-furado, mas eu confio muito no Ulisses.
Então, se quiserem alguma sugestão de candidato a vereador, Ulisses, 13903.

Romeo and Juliet

I can't do the talk like they talk on tv
And I can't do a love song like the way it's meant to be
I can't do everything but I'd do anything for you
I can't do anything except be in love with you

And all I do is miss you and the way we used to be
All do is keep the beat and bad company
All I do is kiss you through the bars of a rhyme
Julie I'd do the stars with you any time


Fazia tempo que eu não ouvia Dire Straits. Como eu tinha pouca variedade musical pra ouvir durante a viagem, e nem sempre estava a fim de ouvir uma ou outra música/banda, acabei ouvindo certo artistas algumas dezenas de vezes. E fiquei com essas estrofes tão bonitinhas na cabeça (aiai, bichinha).
Blogadas, talvez elas desgrudem =P

Dilbert de hoje

Viva a crasse!

Dilbert.com
De acordo com esse link , o histórico do meu navegador no trabalho diz que eu sou 89% homi, e só 11% mulherzinha. Parei de ler o Perez Hilton e olha só o que acontece....

Abertura das Olimpíadas

Riam e me chamem de brega, mas me emocionei com a abertura da Olimpíada (vide meu Twitter). Foram as atletas muçulmanas entrando de véu no desfile, os atletas de países pequenos, que desfilaram com o mesmo abrigo que vão usar nas competições, sem um uniforme frufru específico. E com a delegação da China, entrou um piá de 9 anos, sobrevivente do primeiro terremoto em Sichuan. Mas não era um mero piá sobrevivente. Lin Hao ajudou a remover uns coleguinhas dos escombros, e se negou a parar até que todos os colegas tivessem sido resgatados. No fim, o guri saiu um pouco machucado, dava pra ver que tinha um pedaço da cabeça ainda sem cabelo.
Y los hermanos, mui maloqueros, tuvieram en su desfile una chica passeando en los ombros de um chico.
Bacana que, dessa vez, não soltaram pombos brancos durante a cerimônia. Em vez disso, escolheram umas bailarinas muito bonitas que emularam pombos com os braços. Um telão ao redor do estádio também mostrou imagens de pessoas emulando os pombos. O Peta deve ter ficado contente.
E, pra me deixar mais emocionada ainda, Li Xiaoshuang, um atleta da ginástica olímpica, carregou a tocha dentro do estádio. No fim, quem acendeu a pira foi outro ginasta, Li Ning. Super brega, ele foi içado, e percorreu o estádio "voando". Azar, achei emocionante.
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Não pude deixar de apreciar, mas sei que a cerimônia foi planejada para ser uma grande propaganda do indecente regime chinês. =(

O ônibus comum

(escrito no ônibus comum)
Deu xabú em um processo que eu tenho no interior, e a resolução do problema passar por bater um papo com a dotôra juiza. E é por isso que agora, domingo à noite aqui estou eu, viajando para Sananduva.
Pode-se comprar passagem pra Sanan tanto no guichê de vendas intermunicipais quanto direto na Unesul (PIOR empresa de transporte rodoviário da história dos transportes rodoviários), pra ir numa das linhas interestaduais pinga-pinga.
Só de curiosa, fui verificar os preços e horários no guichê interestadual. E descobri que as passagens custavam uns 10 reais a menos. Bagaceira e muquirana, comprei o bilhete mais barato mesmo. No tiquete dizia "Comum". Mas não me incomodei, Afinal, se ônbus é interestadual, ele não pode ser tãããão ruim assim.
(Socorro, acaba de entrar uma tia com uma criança de colo!)
Além do mais, faz um bom tempo que não vejo ônibus que não tenha sequer ar condicionado. Como o meu tamanho (entrou até um vendedor de lanche!) me perrmite ficar confortável em praticamente qualquer espaço, ar condicionado é o único luxo que realmente me importa.
E vejam só: o ônibus interestadual pode ser tãããão ruim assim. E, de fato, ainda existem ônibus que não têm ar condicionado. Banheiro até que tem, mas só porque deve ser alguma exigência legal. E esse ônibus fede.
Olhei pro ônibus e lembrei de um comentário do meu pai de que os da Unesul foram, são e SEMPRE serão os piores ônibus. Eu pensei que isso já tinha sido superado, que hoje em dias os carros não poderiam mais ser tão lixões. Mas, sim, eles são.
Quando o motorista confirmou que o carro não não tinha ar condicionado, tive vontade de dar meia volta e pegar o ônibus um pouco mais caro, mas mais digno. Mas não devolvem mais o dinheiro se tu desiste da viagem em cima da hora e eu não tava muito no espírito de fazer um barraco, ou de jogar 40 reais fora.
Resultado: pra economizar 10 pilas, tô num ônibus indecente, fedido, sem ar condicionado, pinga-pinga, com uma criança de colo à bordo, e minha viagem vai levar 2 horas a mais do que na outra linha.
E não sei mais o que pode acontecer nas próximas horas.
De tudo isso, eu já tiro algumas lições:
1) Eu nunca deveria ter duvidado da sabedoria do meu pai, que disse que os ônibus da Unesul foram, são e SEMPRE serão os piores.
2) A avareza é um pecado muito grave. O conforto vale cada centavo dos 10 reau. Minha quota de sacrifício viário eu já faço durante a semana, andando de Fusca. Não preciso fazer esforço extra.
E agora o ônibus começou a feder bem mais.
Boa sorte para mim nas próximas horas. Ao menos trouxe toda a minha parafernália de viagens, como travesseiro inflável, ipod, palm com joguinhos e um livro.
No fundo, eu queria só cair no sono e acordar lá em Sananduva. Mas nem dormir em paz eu posso, porque Sananduva é só uma das dezenas de paradas do bus e, se eu ratear, vou acordar em Joaçaba, Santa Catarina.
O lado bom é que, depois dessa viagem, a FUNAI certamente vai renovar minha licença indígena.

Updates pós-viagem:
1. Na metade do trajeto entrou um cara fedendo a cachaça, e ele ficou atrás de mim. Até agora to com o nariz impregnado com o fedor da criatura
2. Depois de ter conseguido seguir viagem sozinha por diversas paradas, uma tia sentou do meu lado e acabou com o único conforto que eu tinha, que eram dois bancos (pra pessoas de um metro e meio, dois bancos de ônibus são uma cama).
3. Logo depois de a tia entrar, o ônibus pegou uma estrada de chão e nela permaneceu por quase uma hora.
4. A criança de colo me surpreendeu e nem ouvi a voz dela durante a viagem. Impressionante

Mais confusões com a chave do Bólido

Meu nome do meio é Gyver, MacGyver

Algumas horas depois de ter trancado o auto com a chave dentro, mais uma proeza aconteceu.
Quando fui tirar o carro da garagem, coloquei a chave n ignição, girei, girei e, de repente, a chave ficou muito leve. Achei estranho, porque o carro continuou desligado. Tchans!!!! A chave quebrou na ignição, e eu fiquei só com a parte de cima na mão =|
Felizmente, a garagem onde o carro estava é do lado do escritório, e do lado de um chaveiro (eu e os meus amigos chaveiros). Fui ao tal sr. Chaveiro, já resignada com o problema. É um Fusca, não dá pra esquentar muito.
O sr. Chaveiro ficou meio preocupado com o relato. Disse que, provavelmente, teria que abrir o miolo da fechadura pra fazer uma cópia da chave, caso eu não tivesse uma sobrando. E a conta passaria dos 80 mangos. Ugh.
Chegando na garagem, tivemos que mover um pouco o carro para um local com mais luz. Como sabem, carros de luxo como o meu não tem essas frescuras de iluminação interna. Empurrado o carro, o meu amigo Chaveiro teve uma outra idéia: abriu a fechadura por trás, de forma que fosse possível ligar o Porsche com uma... chave de fenda! Funcionou perfeitamente, coisa mais fina. Lembrei que poderia ter uma chave reserva em casa, e o prejuízo, então, seria bem pequeno. Só tinha outro problema: o carro não pegava.
Quando o bbbbbbbbbólido voltou da internação, meu tio avisou que a bateria estava ruim, e deveria ser trocada com urgência, pois algum dia nos deixaria na mão. Ele não trocou porque a nossa poderia estar na garantia. A idiota otimista pensou "mas capaz que vai dar problema... Funcionou vários dias, nada vai acontecer." Minha mãe ainda insistiu pra eu ver isso da bateria, mas a cabeça-dura nada. Até que, num belo dia, ela me deixou mesmo na mão.
A volta pra casa nessa noite foi uma coisa sofisticada: a ignição acionada com uma chave de fenda, e o carro ligado pelo empurrão do chaveiro.
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Cada vez mais assaltante do meu próprio carro, resolvi eu mesma tentar tirar o pedaço de chave que ficou na ignição. Desci armada com uma pinça e minha super mixa. Marginal que sou, peguei logo a mixa, e logo na primeira tentativa, consegui tirar a chave.
Também levei junto uma chave de fenda, para tentar ligar o carro. Naturalmente, a tentativa foi bem sucedida, mas a bateria não contribuiu em nada. Descobri, ainda, que a chave de casa, e mesmo aquelas chaves quadriface podem ser usadas para ligar o Fusca. Notem o nível de segurança que tem um carro desses!
Por fim, a última tarefa foi colocar de volta a ignição. Super mega MacGyver, me enfiei dentro do carro por baixo do "painel" (não dá pra dizer que o Fusca tem exatamente um painel), pedi uma ajuda para a Aninha na iluminação (lembrem-se de que o Porsche não tem essas firulas de luzes pra todos os lados) e, com a mesma chave de fenda que usei pra ligar, coloquei o troço de volta no lugar.
Tentei usar a chave que deveria ser a reserva, mas não deu certo. Como eu sou MacGyver, mas sou loira, resolvi não mexer muito, pra evitar que ficasse pior. Então tirei de novo o miolo, pra poder usar o novo método regular de ligação, via chave de fenda.
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Na mesma noite empurramos o Fusca para dar a partida e meu irmão me levou ao Pancho's, na come/bebemoração da Carol. Não quis arriscar andar com o auto sem bateria pelas ruas de Porto Alegre à noite, mas não poderia deixar de passear por ai com essa nova enjambração.